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O ministro da Fazenda, Guido Mantega, afirmou hoje que o governo começará a aprovar a reforma tributária este ano. A Câmara do Brasil votará positivamente e isto servirá de estímulo nos próximos anos para um crescimento maior, afirmou.

"O mundo não vai acabar com esta crise, tenho certeza. E o Brasil tem posição favorável", acrescentou durante evento em Washington.

O ministro avalia que o País tem uma situação mais favorável que a Índia, por exemplo. "Poderemos resistir com crescimento menor. Mas não é factível crescimento de 1% ou 2%", rebateu Mantega. O ministro avalia que, no geral, há potencial de crescimento "mais robusto" entre emergentes. Por isso, Mantega avalia que é mais fácil crescer em mercado interno. "Os emergentes podem substituir redução do mercado mundial por aumento do mercado interno. De modo geral, os emergentes apresentam fundamentos mais sólidos do que países avançados."

As instituições financeiras dos emergentes têm menos envolvimento com subprime (crédito de alto risco) e ativos tóxicos, acrescentou Mantega. Diante desta percepção, o ministro brasileiro avaliou que o G-20 Financeiro (grupo que reúne nações emergentes e desenvolvidas) é mais importante no momento atual, "porque reúne não só o G-7 (grupo dos sete países mais industrializados do mundo), mas também outros países que não podem ser ignorados na crise".

Mantega voltou a comentar sobre a presença do presidente dos EUA, George W. Bush, durante o encontro, realizado na sede do Fundo Monetário Internacional, em Washington. "O presidente Bush fez um gesto importante ao ter ido pela primeira vez a uma reunião do G-20, e me pareceu bastante sintonizado com as propostas que lá foram feitas".

Na avaliação do ministro, a presença do presidente norte-americano foi para prestigiar uma harmonização internacional maior. "Foi isso que entendi pelas palavras e atitude amistosa dele. Inclusive algumas piscadas que ele deu, eu interpretei dessa maneira", brincou o ministro. Mantega disse que "nunca viu tanta ousadia por parte dos governos para enfrentar esta crise", referindo-se às medidas vistas nos países avançados. "A crise é como guerra. Uma guerra mundial e devemos nos unir todos. Todos aliados na guerra sendo que o inimigo comum é a crise financeira. Acredito que chegamos a este ponto", avaliou.