A proposta para o Grupo dos 20 (G-20), que reúne grandes economias desenvolvidas e em desenvolvimento, é que a reunião dê origem a grupos de trabalho que tenham um prazo para dar resultados, disse o ministro da Fazenda, Guido Mantega, em Washington. O ministro diz que todos os países do G-20 admitem a necessidade de regulamentação do sistema financeiro, mas Mantega reconheceu que pode haver divergências quanto ao tipo de regulação.

O ministro disse que os grupos de trabalho do G-20 devem ter a tarefa de "apresentar propostas de como regulamentar o mercado financeiro de modo a evitar que esta crise aconteça de novo e dar segurança, porque hoje o mundo ainda vive uma situação de insegurança. Insegurança dos banqueiros e do consumidor", exemplificou durante entrevista a jornalistas.

Depois do encontro do G-20 amanhã, Mantega diz que pode haver uma nova reunião no fim de fevereiro ou março. De acordo com Mantega, que acompanhou o presidente Luiz Inácio Lula da Silva em encontros bilaterais preparatórios para o encontro de amanhã, todos os países do G-20 "admitem a necessidade de uma regulação do sistema financeiro para evitar que se repita o que aconteceu recentemente e para voltar a ter confiança".

A confiança, continuou o ministro, depende de regras claras, transparência maior nas operações. No entanto, Mantega reconhece que "pode haver divergência quanto ao tipo de regulação que se queira fazer. No comunicado que vamos apresentar está dito que é necessário haver uma regulação do sistema financeiro, principalmente não-bancário. Quanto a isso há convergência, mas é claro que os setores financeiros não gostam muito de regulação, eles poderão resistir", avisa.

Juros

Mantega sinalizou que a tendência no Brasil, a exemplo de todos os países no mundo, é que haja redução de juros. Apesar de não falar em prazos ou índices, o ministro insistiu na necessidade de reduzir o custo financeiro de operações de crédito. "Vai haver espaço para a política monetária mais flexível em todos os países", declarou Mantega, em entrevista à imprensa, depois de participar de várias reuniões ao lado do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, com os primeiros-ministros do Reino Unido, do Japão e da Austrália. Mantega reafirmou ainda que "o câmbio continuará flutuante no Brasil e vamos deixar que ele se ajuste no patamar adequado".

Diante da insistência dos repórteres se o Brasil ia seguir a tendência do resto do mundo de reduzir os juros na próxima reunião do Comitê Federal de Mercado Aberto (Copom), já que o ministro estava defendendo uma ação coordenada entre os países para conter a crise financeira, Mantega desabafou: "Vocês estão querendo é criar uma armadilha para que eu diga qual vai ser o próximo resultado do Copom, coisa que eu jamais direi, até porque eu não sei. Mas, aqui, o importante é dizer qual vai ser a diretriz, a linha mestra, e a linha mestra é a redução do custo financeiro no mundo inteiro e no Brasil também".

Mantega reiterou a necessidade de uma ação coordenada entre os países em vários níveis, seja do comércio ou das novas regras de regulação. Depois de salientar que os mercados hoje são todos interdependentes, o ministro Mantega acrescentou: "Se você começa a tomar medidas em alguns países e não em outros, o dinheiro escapa para outros mercados e outros países, você tem de sintonizar as políticas e o sentido das políticas é de dar mais crédito e reduzir o custo financeiro". E insistiu: "Nós vamos ter de reduzir o custo financeiro no mundo todo e também no Brasil, porque ele está elevado, além de aumentar o volume de crédito". Mas, segundo ele, "o ritmo que isso vai se dar, como isso vai se dar, não está determinado. Cada país tem o seu ritmo. E aí os bancos centrais vão ter de analisar".

    Faça seus comentários sobre esta matéria mais abaixo.