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O ministro da Fazenda, Guido Mantega, estima que o pacote de medidas anunciado ontem dará impulso de 0,3% no Produto Interno Bruto (PIB) do próximo ano. Somente com a correção da tabela do Imposto de Renda e as novas alíquotas, ele espera um impacto de 0,2%.

As medidas foram adotadas depois que o governo avaliou que o PIB do último trimestre vai recuar 1% em relação ao do terceiro trimestre. O governo resolveu agir rápido para evitar nova contração no primeiro trimestre de 2009 e antes que as empresas comecem a demitir.

O secretário de Política Econômica do Ministério da Fazenda, Nelson Barbosa, disse que o desempenho da economia no último trimestre, embora de queda em relação ao terceiro, ainda representará expansão de 3,5% ante o mesmo período de 2007. A projeção de Barbosa é de um crescimento de 5,5% em 2008, mesmo com a queda de 1% no último trimestre do ano.

Barbosa disse que é possível nova retração no primeiro trimestre de 2009, mas ele considera prematuro trabalhar com essa hipótese. Na sua opinião, vários fatores ajudarão a amenizar a desaceleração. O primeiro é a recente queda da taxa de juro futura, principalmente a de 360 dias. Outra razão são as ações do governo para sustentar a demanda.

Com as medidas anunciadas ontem, Barbosa disse que o governo iniciou a "segunda fase" de enfrentamento da crise. Segundo ele, a primeira foi caracterizada pelas medidas para restaurar o crédito bancário e evitar um impacto exagerado sobre setores da economia que empregam muita mão-de-obra, como o imobiliário. Agora, o governo pretende anunciar medidas para sustentar o nível de atividade. Mantega reafirmou a meta do governo de que a economia cresça 4% em 2009.

A estratégia do governo nessa "segunda fase" será baseada, segundo Nelson Barbosa, na manutenção dos investimentos do Programa de Aceleração do Crescimento (PAC), na elevação dos investimentos da Petrobrás e em gastos na área da construção civil. Em 2009, o governo espera gastar 1,2% do PIB em investimentos públicos. Este ano, a previsão é de que esses gastos fiquem perto de 1% do PIB. O governo deseja também que a Petrobrás eleve os investimentos dos atuais 1,6% para 1,9% do PIB.

Além disso, o governo vai lançar, no início do próximo ano, um amplo programa de habitação popular, para estimular a construção civil. Mantega não quis dar detalhes e disse apenas que ele será fundamental para ampliar a oferta de emprego.

O governo acredita que as ações para sustentar um crescimento de 4% em 2009 não criarão problemas para o balanço de pagamentos. Para Barbosa, poderá ocorrer uma "pequena piora em dólar" das contas externas.