SÃO PAULO - O ministro da Fazenda, Guido Mantega, prevê que o juro real no país pode chegar a ficar entre 2% e 3% no futuro. Para ele, que não especificou uma data, esse seria o patamar adequado para a economia brasileira.

Mantega evitou fazer comentários sobre a hipótese de o Banco Central elevar a taxa Selic na próxima reunião do Copom. Afirmou apenas que a autoridade monetária fez um bom papel durante a crise financeira mundial e saberá o momento adequado para baixar ou subir os juros.

O ministro também responsabilizou o mercado pelo aumento nas taxas de juros futuros. "O mercado é que está excitando a economia e o juro futuro está subindo. Isso é o que me preocupa. Não vejo razão", destacou Mantega depois de almoçar com empresários na Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp).

O presidente da Fiesp, Paulo Skaf, frisou que este não é o momento ideal para o BC aumentar a Selic porque o país acabou de sair da crise global e ainda há outras nações imersas nela. Segundo ele, dessa forma, a autoridade monetária provocaria uma expansão dos gastos públicos. "O aumento significa também ir na contramão do câmbio ao estimular mais a entrada de capital. Com isso, você sobrevaloriza ainda mais a moeda, o que não é interessante para as exportações", concluiu.

Mantega ainda mencionou a crise na União Europeia, que classificou como grave. Apesar disso, minimizou o impacto sobre a economia nacional. Para ele, o reflexo no Brasil será um retardamento da recuperação do comércio exterior, além de um crescimento na aversão a riscos, com um menor fluxo de capital estrangeiro ao país.

(Fernando Taquari | Valor)

    Faça seus comentários sobre esta matéria mais abaixo.