Apesar das medidas para aumentar a liquidez no sistema brasileiro, o ministro da Fazenda, Guido Mantega, reconhece que houve perdas em alguns mercados, como o de ações e de derivativos. Quem estava apostado na desvalorização do dólar acabou perdendo recursos.

Todos conhecem os casos, mas não chegam a representar um problema sistêmico", ponderou, em Washington.

Mantega argumenta que há "controle estrito" das operações de derivativos. "Todas as operações de derivativos, ou a grande maioria, são registradas no Brasil na BM&F ou na Cetip (Câmara de Custódia e Liquidação), então temos conhecimento dos valores envolvidos. Todos os contratos que as empresas fazem derivativos com os bancos são registrados. Então, há um conhecimento e um acompanhamento mais firme disso", afirmou, durante evento da Câmara de Comércio Brasil-EUA.

Sobre os Adiantamentos de Contrato de Câmbio (ACC), o ministro disse que os trâmites para fazer os leilões direcionados "demoraram um pouco, pois temos sempre uma burocracia, a legislação precisa ser modificada". "No Brasil temos de ser muito cautelosos, temos de ter a legislação muito afinada com as medidas, senão seremos todos processados e ficaremos anos respondendo. Com todo cuidado, então, essa linha está sendo ativada", afirmou.

Mantega também citou o anúncio sobre o compulsório hoje. "O Brasil tinha um defeito que era o compulsório, mas agora podemos usá-lo para liberar crédito. Já estamos, então, falando em algo como R$ 160 bilhões para a liberação de compulsório no Brasil, de modo que acredito que o setor está com bastante liquidez", avaliou.

A decisão de liberar o compulsório, ponderou Mantega, deriva da deterioração da economia mundial. "Imaginamos que poderia ter alguma contaminação. Muitas vezes é psicológico, não é nem do ponto de vista prático. Foi, então, necessário liberar mais compulsório, mesmo porque é normal nos outros países que o compulsório seja menor. Nós apenas nos equiparamos a outros países que já têm o compulsório menor. Liberar compulsório é algo que não traz despesas para o governo ou coisa parecida", explicou.

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