Segundo ministro, BBrasil não pode respeitar o livre comércio, enquanto o resto do mundo faz intervenções

O ministro da Fazenda, Guido Mantega, expressou nesta terã-feira sua preocupação com a "guerra de divisas" e pediu que sejam estabelecidos acordos na próxima reunião do Grupo dos Vinte (G20, que reúne os países ricos e os principais emergentes) porque o "Brasil não pode respeitar o livre comércio, enquanto o resto do mundo faz intervenções".

"Não deveríamos permitir uma guerra de divisas, o melhor que podemos fazer é chegar a acordos para não prejudicar o livre comércio. O melhor sistema é o do livre fluxo, mas não podemos agir dessa maneira se o resto interferir no comércio", afirmou Mantega.

O ministro deu estas declarações durante uma conferência na "Americas Society" de Nova York, na qual falou sobre a economia brasileira e os principais desafios que o país enfrenta para manter e melhorar sua posição econômica.

"Temos muito cuidado para não violar os princípios do livre comércio que defendemos, mas também temos um cuidado especial com a forte valorização do real", disse Mantega, quem acrescentou que o Brasil "não vai permitir uma supervalorização" da moeda. Segundo ele, o real valorizou 56,3% em relação ao dólar entre 2009 e 2010.

Entre as medidas tomadas pelo Governo brasileiro que influem na contenção da valorização do real, Mantega destacou a recente capitalização da Petrobras e afirmou que, por enquanto, não serão tomadas mais medidas nesta direção. O ministro sugeriu que os países desenvolvidos, entre eles as economias mais sólidas da Europa como a Alemanha, devem tomar não só medidas monetárias, mas adotar também incentivos fiscais para recuperar a demanda interna.

Sobre as medidas monetárias do Federal Reserve (Fed, o banco central americano), Mantega se mostrou contrário a uma futura expansão quantitativa (compra de dívida pública por parte do Governo) porque não "conseguirá melhorar a economia e desvalorizará ainda mais o dólar". Ele pediu que na próxima reunião do G20 - que acontecerá em Seul o mês que vem -, sejam estabelecidos acordos de estímulo fiscal para atenuar estes problemas.

O ministro ressaltou o desenvolvimento econômico que o Brasil viveu nos últimos anos, principalmente com a expansão da classe média, o que, segundo ele, provocou um forte aumento da demanda interna. Mantega destacou também a criação de emprego no Brasil, que já se situa em um milhão de postos de trabalho ao ano, o que ajudou a essa expansão da classe média. O ministro concluiu que esse é o segredo do "milagre brasileiro", pois o aumento da classe média representa também "a integração de 100 milhões de consumidores ao mercado". EFE tme/abb

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