O ministro da Fazenda, Guido Mantega, afirmou hoje que na equação da inflação mundial, o Brasil está muito bem situado. Segundo ele, ao se comparar com outros países, a inflação no Brasil está bem comportada e no nível próximo ao observado em países avançados.

Ele destacou, por exemplo, que a inflação nos EUA está perto de 5% (taxa anual) e, na União Européia, na casa de 4%, enquanto a taxa acumulada no Brasil está em 5,5%.

O ministro disse que entre os países que adotam o regime de meta de inflação, somente o Brasil e o Canadá estão com os índices de preços dentro da meta. Ele citou, por exemplo, a Suíça, que está com a inflação acima da meta. Mantega também comparou a inflação do Brasil com a dos outros países em desenvolvimento do grupo BRIC, mostrando que a inflação local está menor do que a da Índia, da China e da Rússia. E citou ainda que a inflação no Chile triplicou. "A situação monetária do Brasil é melhor que a do Chile, por exemplo", disse Mantega.

O ministro afirmou que há uma escalada mundial de preços derivada da alta nas matérias-primas (commodities), como petróleo, alimentos e metais. Ele atribuiu como fator prioritário para a alta das commodities a especulação que, segundo ele, tem sido motivada pelo baixo rendimento de aplicações em dólar, tanto em ações como em renda fixa, que levou ao deslocamento de investimentos ao mercado futuro de petróleo e produtos agrícolas. Outro fator destacado por Mantega foi o aumento da demanda de países emergentes, como Índia e China, além de protecionismo de países desenvolvidos e a utilização do milho para o etanol norte-americano.

Mantega participa hoje de audiência pública na Comissão de Finanças e Tributação da Câmara. O motivo da audiência é apresentação do projeto que cria o Fundo Soberano do Brasil (FSB). O ministro começou sua exposição falando sobre inflação, porque os dois temas estão conectados, já que o FSB é parte da estratégia do governo para combater a alta dos preços.

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