Em uma primeira rodada de reuniões com os primeiros-ministros do Japão, Reino Unido e Austrália, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva defendeu a adoção de medidas rápidas pelos países que integram o G-20 (grupo formado por grandes economias desenvolvidas e emergentes) para enfrentar a crise financeira mundial. Não podemos sair do G-20 com as mãos abanando porque há uma grande expectativa da sociedade, disse o presidente, conforme relato do ministro da Fazenda, Guido Mantega, que também está na capital norte-americana.

Segundo Mantega, é preciso que sejam adotadas medidas para evitar que o mundo chegue à depressão, porque a recessão já está dada. "Não podemos cair na depressão econômica", disse o ministro da Fazenda. Ao relatar as conversas do presidente Lula, Mantega ressaltou que a recessão não é o caso brasileiro.

Para o ministro, é possível que, com a crise econômica, a Rodada Doha de comércio multilateral, da Organização Mundial do Comércio (OMC), possa avançar. As negociações para a Rodada já duram mais de sete anos.

O ministro Mantega também afirmou que defende a idéia de uma nova reunião do G-20 para discutir os derivativos. "Minha proposta é que saiamos daqui com grupos de trabalho formados para que se apontem uma próxima reunião para regulamentar o mercado, porque o mundo vive em insegurança", afirmou.

Política econômica

"O Brasil também está disposto a fazer políticas anticíclicas", disse Mantega. O País está disposto a "reações rápidas para não permitir que a crise se instale". "Estamos dispostos a fazer política fiscal (anticíclica)", reiterou em entrevista para jornalistas. Mantega disse que o primeiro-ministro da Austrália, Kevin Rudd, e o primeiro-ministro do Reino Unido, Gordon Brown, "estão muito determinados a tomar medidas importantes, com grande repercussão e não deixar passar isso em branco, e nisso temos sintonia muito grande".

Mantega acrescentou que "política monetária e fiscal têm de ser sintonizadas. Se um país fizer isoladamente, pode não ter sucesso e vazar recursos para outros países". O ministro deu o exemplo de que se o Brasil fizer uma medida agressiva sozinho "outros países podem se aproveitar e absorver estes dólares e reais sem dar nada em troca. Para que funcione, tem de haver sintonia entre os países para que todos façam ao mesmo tempo. Para que todos tirem proveito desta situação".

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