SÃO PAULO (Reuters) - O ministro da Fazenda, Guido Mantega, afirmou nesta terça-feira que o real está sobrevalorizado, justificando a adoção em outubro do Imposto sobre Operações Financeiras (IOF) sobre o fluxo de capital estrangeiro para ações e renda fixa. O que não queremos é que haja um exagero de aplicações e, portanto, estamos garantindo que não haverá bolhas na bolsa de valores do Brasil e que não haverá mais excesso de valorização da moeda brasileira, disse Mantega durante discurso no Fórum Econômico Brasil-Itália, realizado em São Paulo.

_CSEMBEDTYPE_=inclusion&_PAGENAME_=economia%2FMiGComponente_C%2FConteudoRelacionadoFoto&_cid_=1237573639952&_c_=MiGComponente_C

O ministro acrescentou, a cerca de 400 empresários e autoridades italianas, que "estamos tendo uma sobrevalorização da moeda brasileira, o que dá situação vantajosa para outros países comercializarem com o Brasil".

Como exemplo, afirmou que o real tem uma sobrevalorização de 23 por cento sobre o euro, o que, segundo ele, deve levar neste ano ao primeiro déficit comercial com a Itália desde 2005.

Ele chamou a taxação de IOF em 2 por cento de "pequena tarifa".

"Recentemente, tivemos que implantar uma pequena tarifa para a entrada de capital estrangeiro no país. Uma taxa sobre o movimento financeiro para a bolsa e para aplicações de renda fixa, tamanho era o interesse que havia pelo Brasil do capital estrangeiro."

CRESCIMENTO

O ministro, que fez uma apanhado da economia brasileira pós-crise, projetou um cenário bastante positivo para o último trimestre deste ano.

"No terceiro trimestre, deveremos ter um PIB (Produto Interno Bruto) positivo anualizado entre 8 e 10 por cento. Portanto a economia brasileira já saiu da crise e já está em franca recuperação", afirmou o ministro, buscando antecipar dados que serão divulgados em dezembro.

Para o próximo ano, a projeção do ministério é de expansão de 5 por cento.

Ele disse que o país experimentou dois trimestres de PIB negativo em função da crise financeira internacional, mas a partir do segundo trimestre deste ano a expansão já alcançou 7,8 por cento.

Mantega relatou que, para driblar a crise, o governo tomou medidas de estímulo à economia com aumento de crédito e impulso ao consumo que surtiram efeito e representaram um gasto de 1,2 por cento do PIB, considerado baixo por ele.

Outros motivos para o bom desempenho da economia, segundo o ministro, foram as contas públicas equilibradas, diminuição da relação dívida-PIB, inflação sob controle e vulnerabilidade externa baixa, além de um mercado interno "sólido", com potencial de crescimento.

    Faça seus comentários sobre esta matéria mais abaixo.