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Mantega elogia e Dilma ironiza pacote americano

O pacote do governo americano, que assumiu as companhias de crédito imobiliário Fannie Mae e Freddy Mac e nelas injetou US$ 200 bilhões, foi positivo, disse ontem o ministro da Fazenda, Guido Mantega. Um problema sério com esses fundos poderia comprometer a economia americana e, mais do que ela, os bancos estrangeiros, instituições que aplicam recursos nesses fundos, disse o ministro, durante a cerimônia de comemoração dos 200 anos do Ministério da Fazenda.

Agência Estado |

"Colocar dinheiro nesses fundos é evitar um problema sistêmico."

Mantega comentou que as autoridades dos Estados Unidos procuraram fazer com que o problema seja equivalente a um terremoto de grau 5 na escala Richter, e não de grau 7 ou 8. "Porque, aí, começaria a causar estragos irreversíveis, quebradeira de bancos e empresas", comentou.

Menos conciliadora, a ministra-chefe da Casa Civil, Dilma Rousseff, viu nas medidas do governo americano a demonstração de que o liberalismo econômico é algo defendido, mas não praticado pelos países ricos. "O neoliberalismo era para nós, não para eles", afirmou a ministra, após proferir um discurso em que elogiou os funcionários do Ministério da Fazenda e apontou-os como exemplo de qualidade para o setor público. "Em momento algum, os Estados nacionais dos países desenvolvidos foram enfraquecidos."

O pacote do governo americano e os limites do liberalismo econômico e da presença do Estado na economia foram o tema no primeiro dia de debates sobre os desafios do Ministério da Fazenda. Para o ex-ministro Luiz Carlos Bresser-Pereira, as medidas anunciadas no domingo não deixam dúvidas. "O neoliberalismo acabou. Estamos vendo o fracasso da ortodoxia convencional. O fracasso deles é total." Igual opinião tem a professora Maria da Conceição Tavares. "É fantástico o país mais liberal do mundo ter de estatizar", atacou. "Enterraram o neoliberalismo de maneira trágica, porque custou uma fortuna. O nosso Proer foi mais baratinho."

O ex-ministro Ciro Gomes deu um toque de ironia à situação. "É um vexame para nós, neoliberais." O ex-ministro Delfim Netto afirmou em seu discurso que um país não cresce sem um Estado indutor. Mas, ao comentar o pacote de ajuda americano, afirmou tratar-se de uma necessidade. "Toda a teoria diz o contrário, os neoliberais diriam que seria uma tragédia, mas tragédia maior seria se não fosse feito."

Questionado se estava diante da morte do neoliberalismo, Guido Mantega desconversou. "É um pragmatismo responsável." A mesma opinião tem o ex-ministro Paulo Haddad. "Eles abriram mão da ideologia para evitar um dano maior. Faltou isso na crise de 1929."

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