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BRASÍLIA - O ministro da Fazenda, Guido Mantega, anunciou há pouco a liberação antecipada e imediata de R$ 5 bilhões em crédito para a agricultura pelo Banco do Brasil (BB). Essa seria uma das medidas para evitar o contágio da crise americana sobre o crédito produtivo no Brasil.

Em entrevista concedida, sob protestos de jornalistas, na portaria do Ministério da Fazenda, Mantega negou que o governo esteja estudando um pacote amplo de medidas ante-crise, conforme anunciou ontem o ministro do Desenvolvimento Miguel Jorge.

"Há, sim, um pacote de medidas, mas nos Estados Unidos para ajuda ao sistema financeiro que esperamos seja aprovado ainda nesta semana", disse o ministro, acrescentando que o Brasil "não precisa de pacote".

"Aliás, o nosso governo se pautou até agora por não fazer pacotes", disse, reiterando que não vê necessidade de medidas de maior intensidade para evitar reflexos da crise externa no Brasil.

Ainda assim, o ministro reforçou que, se necessário, o governo pode adotar alguma norma pontual para, por exemplo, evitar a escassez de liquidez no mercado financeiro. Em reunião hoje pela manhã com o presidente Luiz Inácio Lula da Silva, Mantega disse que voltou a destacar a "solidez dos bancos brasileiros" e o fato de o sistema não estar envolvido no problema do crédito subprime dos EUA.

Mantega admitiu que há uma retração de crédito nos bancos privados para o comércio exterior e também para capital de giro e investimentos internos. "Essa reação se deve ao estresse do momento", explicou, afirmando ter confiança de que após a aprovação do pacote de ajuda americano a tensão desaparecerá.

Caso o sistema não retome a normalidade, Mantega diz que "o governo tomará providências para suprir a liquidez do mercado financeiro brasileiro". O ministro mencionou ainda a atuação do Banco Central nesse sentido, que está agindo com leilão de oferta de dólares para tentar suprir a escassez de recursos destinado a operações de exportação. Ele também afirmou que não há risco para a continuidade dos investimentos e que o BNDES deverá aplicar os R$ 90 bilhões previstos para 2008.

Além de reforçar as boas condições macroeconômicas, Mantega voltou a afirmar que um dos grandes sinais de saúde econômica do país, em relação a crise passadas, é a solidez das reservas internacionais. De acordo com ele, embora setembro tenha sido o mês mais agudo da crise externa iniciada há um ano, o Brasil manteve "intactas" as reservas internacionais superiores a US$ 200 bilhões. "Nada saiu", reforçou.

(Azelma Rodrigues | Valor Online)

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