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O ministro da Fazenda, Guido Mantega, descartou a possibilidade de o governo adotar medidas adicionais para conter a valorização do real em relação ao dólar. Em entrevista exclusiva ao jornalista Guilherme Barros, cuja coluna estreia na segunda-feira, 26, no iG, Mantega afirmou que a política de câmbio flutuante também será mantida pelo governo.

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Mantega disse ainda, na entrevista concedida por telefone, que está muito satisfeito com os resultados obtidos até agora com a decisão de taxar o ingresso de capital externo com a cobrança do IOF (Imposto sobre Operações Financeiras), anunciada na segunda-feira, 19.

Agência Brasil/Arquivo iG

Segundo Mantega, câmbio flutuante será mantido

Não vejo necessidade de medidas adicionais, principalmente com o Banco Central atuando agressivamente na compra de dólares no mercado, afirmou Mantega. Temos de dar tempo para a medida (a cobrança do IOF sobre o capital externo) mostrar eficácia. Não podemos ser imediatistas.

Se a decisão da cobrança do IOF não tivesse sido tomada, a previsão de Mantega é de que o dólar, hoje, já estaria abaixo de R$ 1,70. Para ele, a medida não irá frear a queda do dólar, tendência em todo o mundo, mas atenuar esse movimento.

O objetivo da medida, de acordo com Mantega, foi evitar exageros nesse processo de valorização do real. O mesmo raciocínio se aplica à decisão de ter taxado o capital que investe na Bolsa. Segundo ele, a intenção foi a de evitar uma nova bolha nesse mercado.

O objetivo da medida foi de coibir exageros, tanto no câmbio como na Bolsa, que acabariam prejudicando a economia brasileira, afirmou. Não somos contra o capital externo. O que não queremos são abusos.

Mantega disse que, se nada fosse feito, uma nova bolha poderia ser formada e o país poderia correr o risco de uma nova crise financeira. Segundo ele, muitas empresas já estavam fazendo apostas na contínua valorização do real e especulando em mercados derivativos.

No ano passado, empresas como Aracruz e Votorantim sofreram pesados prejuízos ao investir nos mercados de derivativos cambiais, apostando na valorização do real. A crise as pegou de surpresa.

Segundo Mantega, nas últimas semanas, muitas empresas voltaram a especular no mercado de derivativos e são elas, a seu ver, as que mais manifestaram descontentamento com a medida do governo. A decisão do governo de cobrar o IOF as obrigou a inverter a posição.

Para ele, a repercussão da medida foi altamente positiva. Citou o fato de o jornal britânico "Financial Times" ter feito um editorial com elogios à decisão do governo.

Mantega disse ainda que outros países também devem adotar medidas semelhantes a do Brasil, diante desse movimento global de desvalorização do dólar. E afastou totalmente a possibilidade de se copiar o modelo da China, que pratica o câmbio administrado.

Mantega afirma que a trajetória do câmbio continuará no sentido de valorização do real. No mês passado, o país registrou ingresso líquido de US$ 10 bilhões de capital, massa muito forte de capital que torna difícil impedir a queda do dólar.

É sempre melhor prevenir do que remediar. Depois que o câmbio chegasse a R$ 1,40 seria muito mais difícil.

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