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Mantega defende política econômica e diz que PIB crescerá 4% em 2009

A política de combate à inflação do governo teve de ser defendida nesta segunda-feira pelo ministro da Fazenda, Guido Mantega, após um grupo de economistas, dois deles ex-ministros da Fazenda, atacarem a escalada da taxa básica de juros e a valorização cambial em andamento no país. O consenso para tais economistas é de que o crescimento da economia no médio prazo está comprometido por tais fatores.

Valor Online |


O encontro organizado pela revista Carta Capital e pela Fundação Getúlio Vargas (FGV) nesta segunda em São Paulo reuniu os ex-ministros Antônio Delfim Neto e Luiz Carlos Bresser Pereira, além de Yoshiaki Nakano, diretor da Escola de Economia São Paulo da FGV e ex-secretário da Fazendo do estado de São Paulo. Antonio Palocci, que antecedeu Mantega na pasta da Fazenda também foi convidado, mas não compareceu ao evento.

Bresser Pereira foi o crítico mais ácido do encontro. Chegou a colocar em dúvida o ciclo de crescimento econômico do país, muito propagado por integrantes do governo. "Não acredito nisso", disse, lembrando da discordância entre a atitude conservadora do Banco Central com o aperto monetário e o desenvolvimentismo característico de Mantega e Luciano Coutinho, presidente do BNDES, por exemplo.

Para o ex-ministro, a conduta discordante entre as duas principais fontes de formação de política econômica do país leva o governo hoje a fazer uma boa política de dia-a-dia, exceto pela conduta do BC, mas que não é capaz de resolver o desequilíbrio cambial associado ao juro alto, que compromete a economia no médio e longo prazo.

"Quando o governo quiser resolver esse desequilíbrio entre juros e taxa de câmbio suicida, terá que fazer um esforço fiscal muito maior do que está sendo feito", disse. Bresser Pereira concorda que na conjuntura atual é indicado um aumento da Selic, mas critica o fato de o BC não ter baixado mais o juro antes, quando as condições de inflação permitiram o ciclo de redução da taxa.

Mantega admitiu que há riscos associados ao real valorizado, que está esbarrando no limite, sobretudo para as contas externas do país, mas disse acreditar que essa situação não deve se manter por muito tempo. Ele ponderou também que o ciclo de alta da taxa Selic é temporário e deve fazer a inflação convergir para a meta ainda em 2009.

O ministro acrescentou ainda que, se preciso for, o governo está disposto a adotar maior rigor fiscal para combater a alta de preços e evitar impacto para o crescimento da economia, inclusive com elevação da meta se superávit primário para além dos 4,3% proposto recentemente.

Essa hipótese aventada por Mantega foi bastante elogiada por Delfim Neto. "É essa a grande contribuição que o governo poderá dar para controlar a inflação, pois se existir um excesso de demanda ela será cortada pelo lado do governo", disse.

O ex-ministro fez suas críticas ao alto patamar das taxas de juro e de câmbio, acrescentando que essa dupla deve levar a uma redução importante do ritmo de crescimento do país. Para ele, é uma atitude extravagante o BC tentar conter sozinho conter as expectativas de inflação do mercado, já que o processo inflacionário é planetário.

Mantega, por sua vez, disse que os passos dados pelo BC com o juro, bem como o aumento do esforço fiscal, levam em conta a necessidade de evitar que o ciclo de crescimento seja abortado pela batalha para conter os preços. O ministro disse que discorda de avaliações apontando para 3% ou 3,5% de taxa de crescimento em 2009 e disse o governo dará condições para que o país cresça pelo menos 4% no ano que vem.

Na mesma linha, Yoshiaki Nakane disse que em termos fiscais os indicadores vão indo muito bem, mas que o aumento do custo do dinheiro para controle de inflação não tem eficácia atualmente e resulta apenas em alta da taxa de câmbio, que por sua vez leva à desaceleração do crescimento, devido à perda de competitividade do setor produtivo lá fora e no mercado interno.

"O crescimento se dá com a maior abertura da economia, com mais importações e exportações", afirmou. Além de controlar a apreciação excessiva do real perante o dólar, Nakano diz que a taxa de investimentos no país precisa avançar para patamares em torno de 25% do Produto Interno Bruto (PIB).

Para ele, a política monetária como instrumento de combate à inflação precisa ser repensada não só no Brasil como em outras economias. "Estamos assistindo a uma integração global entre o mercado de bens, serviços e o financeiro que traz desafios novos para a política monetária de cada país, isoladamente".

Mantega concordou com tal avaliação e acredita que a liberalidade financeira em vigor no mundo cria um excesso de liquidez que não é regulamentada suficientemente e que movimenta-se ao sabor de grandes fundos internacionais de investimentos. "Nosso sistema ainda é, sim, da época da hiperinflação e temos que transitar para um novo modelo de política econômica", concluiu o ministro.

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