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Mantega critica alarmismo, repete que inflação está sob controle

BRASÍLIA (Reuters) - O ministro da Fazenda, Guido Mantega, criticou nesta quarta-feira avaliações que considera alarmistas sobre o processo inflacionário no país. Segundo ele, a alta dos preços ocorre em ritmo moderado e o consumidor não precisa estocar produtos. Não há nenhuma razão para desespero ou pânico, como eu vejo em algumas opiniões. Nós temos as armas para enfrentar esse fenômeno da inflação... e não está faltando comida e nem petróleo, disse em audiência a uma comissão da Câmara dos Deputados.

Reuters |

'Está havendo certo exagero na análise da inflação brasileira, um certo alarmismo que é absolutamente fora de propósito. O alarmismo é ruim, acaba contagiando.'

Mantega destacou que notícias pessimistas sobre a elevação dos preços podem levar consumidores a adotar medidas como estocar produtos. 'É totalmente desnecessário fazer estoques', frisou.

Ele argumentou que preços que subiram recentemente, como o de alimentos, tendem a cair em futuro próximo.

O Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) acumula alta de 5,58 por cento em 12 meses até maio, acima da meta central de 4,5 por cento.

Para Mantega, o crédito e as vendas do varejo já dão sinais de desaceleração no país, cumprindo objetivo perseguido pelo governo. Mas frisou que a idéia não é 'abortar o crescimento'.

'É apenas uma pequena correção de rota, uma ligeira desaceleração no crescimento', disse, acrescentando que a economia crescerá em uma faixa de 4,5 a 5,0 por cento.

O Brasil está em situação privilegiada por ser produtor das commodities que mais subiram nos últimos meses, como petróleo, alimentos e minério, acrescentou Mantega.

Entre as medidas adotadas recentemente para conter a inflação, o ministro citou a elevação do superávit primário, aumento do juro, incentivo a investimentos e medidas de estímulo à produção agrícola. 'O combate à inflação é necessário, está sendo feito e nós podemos manter o crescimento.'

FUNDO SOBERANO

Mantega também anunciou que o projeto de lei do governo propondo a criação do fundo soberano do país será encaminhado ao Congresso na quinta-feira.

O fundo receberá o equivalente a 0,5 por cento do Produto Interno Bruto em receitas em 2008 e será utilizado como instrumento de política anti-cíclica --assim, os recursos deverão ser utilizados para investimentos em anos de menor crescimento.

(Reportagem de Isabel Versiani)

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