Publicidade
Publicidade - Super banner
enhanced by Google
 

Mantega: confio na decisão do Copom

O ministro da Fazenda, Guido Mantega, evitou comentar o resultado da reunião do Comitê de Política Monetária (Copom), que deve ser anunciada no início da noite de hoje. O que o Banco Central fará depende da sua análise.

Agência Estado |

O BC tem feito uma política monetária eficiente. Confio na decisão do Copom", afirmou.

Na última reunião do BC, ocorrida em julho, o Copom elevou a taxa básica de juros, a Selic, em 0,75 ponto porcentual para 13% ao ano, em uma decisão mais agressiva que as anteriores, quando o juro básico foi elevado em 0,50 ponto porcentual por duas vezes, nos encontros de abril e junho deste ano.

Segundo Mantega, os números da economia brasileira no segundo trimestre deste ano ainda não espelham o início do aperto monetário promovido pelo Banco Central. "O crescimento não reflete o juro mais alto nos últimos meses. Essa elevação demora para fazer efeito, o reflexo do juro vem de seis a oito meses", afirmou.

Para Mantega, o desempenho da economia no período entre abril e junho de 2008 foi diretamente influenciado pelo impulso do investimento que foi registrado de seis a oito meses atrás. Ele explicou que o aumento da Formação Bruta de Capital Fixo (FBCF, que se refere aos investimentos) foi gerado pela decisão de empresários, que, na época, vislumbraram o potencial de crescimento do mercado interno e tinha, naquela ocasião, juro real e a Taxa de Juros de Longo Prazo (TJLP) reduzidos. "Eles chegaram à conclusão de que era possível investir", afirmou.

Porém, o ministro afirmou também que alguns setores da economia, como a indústria, têm apresentado desaceleração da atividade. Isso tem sido gerado, segundo Mantega, pelo aumento de custos, menor demanda em alguns segmentos, e reflete, em parte, o início do impacto do aumento dos juros, iniciado em abril.

Dentro desse contexto, o ministro também avalia que alguns segmentos da economia já estão se acomodando ao novo patamar do câmbio, que voltou a casa de R$ 1,70 nos últimos dias, após ser negociado abaixo de R$ 1,60 no início do ano.

O ministro comentou ainda que a equipe econômica continua com a intenção de que o País tenha crescimento sustentável da economia. "O crescimento sustentável não é o maior possível. É aquele que não gera inflação ou pontos de estrangulamento", argumentou.

Consumo

O ministro observou também que, a despeito do maior investimento, o consumo das famílias apresenta certa acomodação. Este movimento foi avaliado por Mantega como "muito bom". "A desaceleração está dentro do previsto", afirmou. Apesar da menor demanda interna, Mantega disse que o final do ano será bom para os brasileiros. "Teremos um excelente Natal para as famílias", prevê.

Mantega afirmou que a expansão do crédito no Brasil ainda está acima do adequado, mas ele acredita que, nas próximas estatísticas, já deve ser apontado um arrefecimento. Ele fez questão de deixar claro que essa desaceleração ainda significará uma expansão do crédito entre 24% e 25%. O crescimento do crédito tem se situado em torno de 32%.

O ministro disse que o maior esforço fiscal do governo desacelerou os gastos do setor público no segundo trimestre deste ano. "Com o superávit primário maior, o consumo do governo desacelerou entre o primeiro e o segundo trimestres. Isso era previsto", afirmou.

2009

O ministro da Fazenda, Guido Mantega, afirmou hoje que continua trabalhando com uma previsão de expansão do Produto Interno Bruto (PIB) em 2009 de 4,5%. Segundo ele, será menor que o crescimento de 2008 em função da redução do crédito mundial e no Brasil, do aumento das taxas de risco e do custo de capital, e também da elevação da taxa básica de juros, a Selic.

Mantega lembrou que o crescimento dos investimentos neste momento é resultado de decisões tomadas há um ano, um ano e meio, quando as taxas de juros eram menores. O ministro disse que os novos investimentos levarão em conta um novo patamar de juros. "Dependendo do comportamento dos juros, pode levar a uma desaceleração do PIB e dos investimentos em 2009".

Petróleo

Sobre a decisão da decisão da Organização dos Países Exportadores de Petróleo (Opep) de cortar a produção diária de petróleo em 520 mil barris para segurar os preços, Mantega disse que há uma tendência de baixa nos preços das matérias-primas (commodities), por causa da retração da economia mundial.

Ele afirmou que a queda na demanda deve levar a um menor consumo de petróleo. "Ontem, o barril do petróleo estava rompendo a casa dos US$ 100. A Opep, que não é boba, anunciou a redução da oferta para tentar segurar o preço. Não sei se vai conseguir ou se não vai conseguir, mas, de qualquer forma, há uma tendência baixista nos preços das commodities", disse.

Segundo ele, para o Brasil, o ideal seria que o preço do petróleo continuasse caindo para reduzir custo de insumos importados pelo País, como diesel e produtos para indústria de fertilizantes. Para Mantega, o preço do barril cotado entre US$ 70 e US$ 80 seria "bastante razoável" para a indústria petrolífera e reduziria os custos para o Brasil.

Leia tudo sobre: home

Notícias Relacionadas


Mais destaques

Destaques da home iG