O ministro da Fazenda, Guido Mantega, disse hoje que a aquisição da Nossa Caixa fortalece o Banco do Brasil. Segundo ele, o banco federal vai, com a operação, ter mais presença em São Paulo, já que a Nossa Caixa conta com aproximadamente 300 agências no Estado.

Além disso, Mantega afirmou que o governo vai equilibrar o jogo com os grandes bancos brasileiros do setor privado, aumentando a competição no mercado. "É importante que o BB e a Caixa Econômica Federal sejam bancos fortes e tenham poder de competição para beneficiar os correntistas", afirmou. "Nós vimos que é importante em um momento de crise ter bancos públicos fortes, porque eles não sofrem restrição de crédito. Ao contrário, podem acrescentar mais crédito e ajudar a manter o mercado mais sólido", emendou.

O ministro ressaltou que o governo pretende "continuar trabalhando com bancos públicos sólidos, elevando crédito e baixando a taxa de juros". Ele deu a entrevista ao chegar ao Ministério da Fazenda.

Mantega destacou que, com a aquisição, o banco se consolida entre as 20 maiores instituições financeiras do mundo. "Com essa compra, o Banco do Brasil terá mais condições de fazer o trabalho de ser responsável por uma parte importante do crédito no Brasil.

Novas compras

Segundo Mantega, o Banco do Brasil está autorizado a fazer outras aquisições de bancos. "Mas se houver necessidade, para ajudar o setor privado, algum banco que queira. Eles estão vendendo carteiras. O BB está habilitado a comprar algum banco privado também. Mas não há nada definido", afirmou.

De acordo com o ministro, a edição da Medida Provisória 443, que permite ao BB e à Caixa Econômica Federal adquirirem outras instituições financeiras, ajudou a viabilizar a operação de compra da Nossa Caixa, porque, nesse caso, não seria possível fazer troca de ações - como ocorreu na incorporação do Banco do Estado de Santa Catarina (Besc).

Aprovação

O Banco do Brasil espera que a Assembléia Legislativa do Estado de São Paulo aprove, por meio de lei, a compra da Nossa Caixa até o final do ano, segundo o vice-presidente do BB, Aldo Mendes. "Ao mesmo tempo, vamos assinar os documentos finais do contrato de compra e venda", disse. Por enquanto, as instituições assinaram apenas o memorando de entendimento vinculante.

Até março de 2009, além da Assembléia, o Banco Central também deverá aprovar a operação. A expectativa é de que em março do ano que vem a Nossa Caixa se torne uma subsidiária integral do BB e que depois de 12 meses a instituição deverá ser totalmente integrada. "No início teremos uma cadeira no conselho de administração e no conselho de gestão", contou Mendes.

Após a liquidação financeira, estimada para março, será publicado o edital da oferta pública de aquisição (OPA). A OPA deverá ocorrer 30 dias depois da publicação do edital. O executivo do BB lembrou que os minoritários receberão o mesmo preço pago ao governo de São Paulo pelo controle da Nossa Caixa.

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