O ministro da Fazenda, Guido Mantega, afirmou ontem que os juros só serão reduzidos quando a inflação retomar patamar próximo ao centro da meta de inflação, fixado em 4,5% até 2010. Simultaneamente, ele ponderou que a taxa básica de juros, a Selic, não vai prejudicar o crescimento econômico do País porque a Taxa de Juros de Longo Prazo (TJLP), referência para os empréstimos do Banco Nacional do Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) às empresas, se mantém em nível baixo, viabilizando os investimentos na ampliação do parque produtivo.

Apesar de não esperar uma queda dos juros tão cedo, Mantega, que participou do programa "Bom Dia Ministro", promovido pela Empresa Brasil de Comunicação (EBC), tentou passar uma mensagem de tranqüilidade sobre os rumos da inflação. Destacando os índices de preços mais baixos recentemente, reflexo da queda internacional das matérias-primas (commodities), o ministro disse que a inflação deve fechar este ano entre 6% e 6,5%, portanto dentro do intervalo de tolerância da meta, que é de dois pontos porcentuais para baixo ou para cima - ou seja, entre 2,5% e 6,5%.

Na entrevista à EBC, Mantega voltou a dizer que a alta nos índices de preços ocorre em todo o planeta, e é derivada da elevação do petróleo e das commodities agrícolas. Segundo ele, as medidas que o governo já tomou - como a elevação do superávit primário e da taxa de juros, além do aumento do Imposto sobre Operações Financeiras (IOF) no crédito - têm o objetivo de resolver o problema da inflação “"sem matar o paciente".

De acordo com o ministro, o governo quer moderar o crescimento econômico brasileiro para que essa expansão seja sustentável e não cause inflação. "Estamos moderando o ímpeto de crescimento para nos adaptarmos a uma situação de stress internacional", disse ele, que prevê crescimento de 4,5% a 5% este ano. As informações são do jornal O Estado de S. Paulo.

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