Conseguiremos domar esta crise financeira, afirmou hoje o ministro da Fazenda, Guido Mantega, em evento em Washington. A crise pode ser comparada à de 1929, mas será diferente.

Não será uma crise parecida com a de 1929, pois a atuação dos governos é diferente. Não cometeremos os mesmos erros cometidos naquela época, cometeremos novos. É sempre bom cometer erros novos", disse, em evento organizado pela Câmara de Comércio Brasil-EUA.

Mantega acrescentou que a crise atual também é diferente da dos anos 1990, "que regional, não estava localizada no centro do sistema. Agora, a crise se dá no epicentro do sistema financeiro, não é crise de bilhões, mas de trilhões. Mudou a magnitude da crise". O ministro observou que é uma crise sistêmica e "ninguém escapa".

"Daremos as respostas que forem necessárias de modo que a crise seja neutralizada", afirmou Mantega. Para uma platéia composta por investidores e empresários, o ministro afirmou que o Brasil, bem como outros países emergentes, podem se beneficiar do que chamou de "pós-guerra, ou seja, o pós-crise". "Abrir-se-á uma janela de oportunidade para o Brasil e outros emergentes que têm fundamentos sólidos", completou.

"Depois dessa crise países emergentes passam a ter papel fundamental, de modo a não permitir que haja atrofia da economia mundial", afirmou. "Os emergentes já respondem por 75% do crescimento global. Cabe a eles fazer política anticíclica para puxar o crescimento mais avante", disse.

Sobre crescimento do Brasil, Mantega disse que é "realista". "Discordo das projeções pessimistas sobre a economia brasileira, de 1% a 2%, ou de 2,5%. Estes analistas estavam muito envolvidos pelo clima dos países onde se encontram", afirmou.

Os investidores que restarem depois de toda essa confusão vão buscar oportunidade de investimento, irão em busca da solidez e de rendimentos maiores, segundo ele. "O Brasil está equipado para oferecer isso aos investidores. Depois disso, o Brasil vai levar vantagem. Este ano vamos crescer 5% ou 5,5%. Eu sou realista não sou otimista", afirmou. Em 2009, o ministro estima que a economia do País deve crescer de 4% a 4,5%. "Admito que vai ter uma desaceleração que não é pequena, mas continuaremos a crescer nos próximos anos".

Câmbio

"Não sabemos onde o dólar vai parar", reconheceu Mantega. "Haverá desvalorização do real e não vamos voltar a patamares que tínhamos antes", afirmou. Ele reconheceu que pode haver "pressão momentânea sobre a inflação", mas ponderou que o governo continua perseguindo as metas da política monetária para manter a inflação "dentro dos trilhos que temos". "A inflação está sob controle", completou.

Superávit fiscal

"Vamos fazer um superávit primário de 4,3% (do PIB) em 2009", afirmou o ministro. A disposição da Fazenda é fazer em 2009 o que foi feito em 2008. O objetivo é chegar a 2010 com resultado fiscal favorável. "No mínimo, zerar (o déficit nominal) em 2010 e fazer algum superávit", disse Mantega. Superávit primário fiscal é a economia que o governo faz para o pagamento de juros da dívida pública.

Mantega acredita que não "vai haver grandes perdas de arrecadação, mas não vai crescer a 18%, como em 2008". Ele afirmou que "o gasto combinado com investimento cresce a 11%". Isto significa, continuou Mantega, que "cresce menos que arrecadação". "Se arrecadação cair para 15% ou 14% ainda é situação favorável", afirmou.

"O presidente Lula é muito sensível, conhece economia mais do que vocês imaginam. Procuramos manter programas sociais, mas cortar onde podemos cortar. Não vou anunciar (onde), mas vamos esperar qual cenário vai se estabelecer (para avaliar onde os cortes serão aplicados)", acrescentou.

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