O ministro da Fazenda, Guido Mantega, afirmou hoje que sua previsão de crescimento do Produto Interno Bruto (PIB) de 1% para 2009 está comprometida. No entanto, ele disse que o resultado do ano ainda será positivo.

"Mas não vou arriscar um número", disse o ministro, durante entrevista para comentar o resultado da economia no terceiro trimestre, divulgado hoje pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). O PIB subiu 1,3% em relação ao segundo trimestre deste ano e recuou 1,2% na comparação com o terceiro trimestre de 2008.

Mantega, que afirmou que a indústria está puxando o crescimento e que os investimentos "estão bombando", disse que continua acreditando em um crescimento de 5% em 2010. Segundo ele, a economia já está crescendo a um ritmo de 4,5% a 5% no quarto trimestre de 2009. "Vamos ter um final de ano com a economia girando num patamar satisfatório. Vamos entrar 2010 com a economia aquecida e crescendo a 5%", afirmou.

O ministro disse ainda que não tem prontas as medidas para estimular o setor exportador, embora tenha prometido adotar medidas para melhorar a competitividade das exportações. "Medidas para melhorar a competitividade do setor exportador poderão ser tomadas. Estamos sempre tomando medidas, mas elas não estão formatadas", afirmou o ministro. Ele destacou, porém, que o pacote anunciado ontem ajuda toda a estrutura produtiva, inclusive o setor exportador, já que reduz o custo do financiamento e da aquisição de máquinas novas.

Em relação ao câmbio, ele lembrou que a taxação de Imposto sobre Operações Financeiras (IOF) sobre a entrada de capital estrangeiro no País estabilizou a valorização do real. "Impedimos a sobrevalorização do real, e isso também favorece as empresas exportadoras", afirmou.

Arrecadação

Mantega afirmou também que a arrecadação já está mostrando um bom ritmo de recuperação e que deve, este mês, superar o resultado verificado em dezembro de 2008. Segundo o ministro, os números de novembro já mostram um crescimento mais intenso da arrecadação, o que é um bom termômetro para a avaliação do nível de atividade. "Se a arrecadação estiver crescendo, significa atividade em alta", disse o ministro. Segundo ele, o desempenho das receitas permitirá o cumprimento da meta de superávit primário de 2,5% do PIB em 2009, "talvez não usando os abatimentos do PAC (Programa de Aceleração do Crescimento)".

Em relação à inflação e à taxa de juros, Mantega disse não ver maiores preocupações. "A gente só tem motivos para subir juros quando a inflação ultrapassa a meta", disse. Ele afirmou que o Índice de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) deste ano deve ficar abaixo do centro da meta, de 4,5%. No ano que vem, de acordo com o ministro, o indicador deve ficar no centro ou pouco abaixo desta marca.

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