Um dia depois do anúncio feito pelo IBGE de que a atividade industrial registrou, em dezembro, a pior queda desde 1991, o ministro da Fazenda, Guido Mantega, admitiu que o desempenho da economia brasileira no início deste ano continuará ruim. Segundo ele, o resultado do primeiro trimestre de 2009 será mais ou menos igual ao registrado de outubro a dezembro de 2008 e pior do que nos três primeiros meses do ano passado.

Na prática, isso significa que o ministro não descarta a ocorrência de uma "recessão técnica". Isso porque, conceitualmente, os economistas falam que uma economia entra em recessão quando sofre duas quedas trimestrais consecutivas do PIB. Como a economia brasileira já encolheu no último trimestre de 2008, se ela apresentar nova retração de janeiro a março deste ano, estará caracterizada a recessão.

Mesmo com essa queda, é possível que a economia feche o ano de 2009 com taxa de expansão positiva se, nos trimestres seguintes, voltar a crescer, como espera o ministro. Por isso, Mantega afirma que o País não entrará em recessão - referindo-se à taxa anual. "Não vamos ter recessão em 2009 como ocorrerá em outros países. Recessão é uma palavra que serve para países como os EUA, para a Europa e para o Japão", disse. "Nós teremos um crescimento positivo", assegurou.

O ministro não quis se comprometer, porém, com previsão para o crescimento da economia brasileira este ano e chegou a admitir que o País poderá não alcançar a meta de 4% perseguida pelo governo. "Eu sempre disse que 4% não é um número fatídico. Talvez fique em 3,5%, um pouco menos ou um pouco mais", afirmou. "O FMI (Fundo Monetário Internacional) falou em 1,8%, outros analistas falam em 1,5%, e outros em 2,5%. Acho que nós temos que ser ousados, pois é o momento de ousadia. Não é o momento de ficar parado olhando a coisa desacelerar", disse. O ministro lembrou que o governo vem adotando medidas "praticamente toda semana" para evitar o aprofundamento da crise.

O ministro da Fazenda atribuiu a queda acentuada da produção industrial de dezembro (mais de 12%) a uma combinação de fatores, como a falta de crédito e o "susto" das empresas com a chegada da crise ao Brasil. "O pessoal parou de produzir e começou a queimar os estoques, que é uma maneira de se obter capital de giro. Algumas empresas até ficaram sem produtos, pois o consumo se manteve em dezembro", descreveu.

"Garanto que o consumo em dezembro será positivo e, em janeiro, já teremos retomada dos investimentos porque as pessoas estão percebendo que a situação não é tão feia." Mantega disse ainda que o governo provavelmente usará os R$ 14,2 bilhões do Fundo Soberano do Brasil para compensar a queda na arrecadação e manter os investimentos públicos.

O Fundo, segundo ele, foi concebido justamente com o intuito de gerar uma poupança nos anos de "vacas gordas" para ser usado em outro de "vacas magras". "Se 2009 será um ano de vacas magras ou, pelo menos, mais esbeltas do que em 2008, então devemos usar os recursos do Fundo ", afirmou. As informações são do jornal O Estado de S.Paulo.

    Faça seus comentários sobre esta matéria mais abaixo.