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Mantega admite desaceleração no crescimento brasileiro

Apesar de não acreditar em uma recessão no Brasil, o ministro da Fazenda, Guido Mantega, admite que o impacto da crise internacional no País pode levar a desaceleração da economia e uma queda na arrecadação de impostos do governo federal.

Redação com agências |

 

Ele disse que o governo trabalha com um cenário de desaceleração da economia, que deve provocar uma redução no ritmo de crescimento das receitas. "Acredito que haverá desaceleração. Mas não a ponto de desequilibrar nossas finanças", afirmou.

Mantega e o presidente do Banco Central (BC), Henrique Meirelles, participaram na manhã desta quinta-feira de reunião da Comissão de Assuntos Econômicos do Senado (CAE) para debater as medidas adotadas pelo governo federal para reduzir os efeitos da crise financeira internacional sobre a economia brasileira.

Segundo o ministro, a previsão é de que a economia brasileira cresça 4,5% em 2009. "Tem gente dizendo que não vamos crescer nada, ou que vamos crescer 1% em 2009, ou que teremos recessão. Não acredito que teremos recessão no Brasil. Mas também não é o caso de ignorar a crise. Não é um caso, nem outro. Dá para manter um nível razoável de crescimento da economia [no ano que vem]", afirmou Mantega.

"O consumo está em patamar elevado, mas acredito que irá cair. Mas não teremos recessão no Brasil", disse.

Mantega afirmou que, apesar das comparações, o efeito da atual crise na economia real não será da mesma proporção da crise de 1929. "No período de 1929 a 1933, houve queda do PIB (Produto Interno Bruto) de 50%. Aí começou a depressão americana. Não teremos nada parecido com isso agora."

Segundo o ministro, apesar de uma desaceleração no crescimento, o País tem condições de enfrentar a crise mundial. "Temos que reconstruir as linhas de crédito, assegurar os investimentos com as medidas emergenciais", disse.  

Valter Campanato/ABr
País está preparado, diz Mantega

Mantega adiantou que a equipe econômica do governo editará nos próximos dias uma nova Medida Provisória para garantir capital de giro para o setor de construção civil.

Hoje nós temos mais fôlego e podemos nos adiantar, afirmou o ministro em audiência pública na Comissão de Assuntos Econômicos (CAE) do Senado. 

Mantega não adiantou aos senadores o montante que será injetado no setor, mas no início da semana, em entrevista à jornalistas na Confederação Nacional da Indústria (CNI), sinalizou que esse valor poderia chegar a R$ 3 bilhões. 

Segundo ele, os recursos de capital de giro viriam de uma linha de crédito especial da Caixa Econômica Federal, e não do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço (FGTS).

Fase mais amena

Mantega avaliou que o mundo está deixando a fase mais aguda da crise econômica e passando para uma mais amena. 

O ministro afirmou que a crise ainda será longa, mas não tão aguda quanto neste um mês e meio que passamos, quando algumas operações interbancárias chegaram a ser paralisadas. 

Segundo Mantega, apesar de mais amena, é "não menos grave" a fase atual. "Na primeira fase, só víamos a ponta do iceberg, não havia como saber a magnitude dos prejuízos." Agora as consequencias aparecem mais e há risco de recessão para muitas economias desenvolvidas, avalia o ministro.

Compulsório

O ministro observou nesta quinta-feira que o depósito compulsório brasileiro (dinheiro que os bancos são obrigados a manter em caixa por ordem do Banco Central), muito criticado por ser um dos mais altos do mundo, é uma vantagem que o País tem diante da crise financeira mundial. 

Segundo Mantega, os cerca de R$ 230 bilhões no fundo compulsório, que é uma reserva de liquidez em moeda brasileira, agora poderá ser usado em concessão de empréstimos.  O que é uma prerrogativa diante do cenário de escassez de crédito no mundo. 

"O Brasil tem uma economia dinâmica, ainda crescendo, tem vantagens comparativas como produtividade da agricultura. Um grande potencial do mercado interno, acúmulo de reservas. Tem também reservas de petróleo e gás para o futuro", ressaltou o ministro.

Crescimento e fundo soberano

Mantega afirmou que o Brasil manterá um nível bastante razoável de crescimento econômico apesar das turbulências no mercado internacional.

Segundo Mantega, apesar de uma desaceleração no crescimento, o País tem condições de enfrentar a crise mundial. "Temos que reconstruir as linhas de crédito, assegurar os investimentos com as medidas emergenciais", disse. 

O ministro defendeu em sua explanação aos senadores a aprovação do projeto de lei que cria o Fundo Soberano, em tramitação na Câmara dos Deputados. Ontem, os deputados aprovaram o texto-base da proposta, mas ainda faltou analisar os destaques apresentados ao projeto, o que ainda pode alterá-lo.

"O Fundo Soberano é importante agora menos por uma questão cambial, que não é necessária agora, mas a principal função é fiscal. Aumentar a poupança fiscal", disse.
 

MP's

O governo editou duas medidas provisórias para tentar conter a crise. A primeira delas, a MP 442/08, publicada no dia 6 de outubro, facilita a atuação do Banco Central no socorro a instituições financeiras.

A outra, a MP 443/08, editada no último dia 21, autoriza o Banco do Brasil e a Caixa Econômica Federal a adquirirem participações em instituições financeiras sediadas no Brasil.

Mantega observou que o mundo vive neste momento uma crise de grande proporção, talvez a maior que a nossa geração já assistiu.  As crises dos anos 90 foram crises localizadas, que puderam ser computadas em bilhões de dólares, enquanto esta última, que tem como epicentro os países avançados, é uma crise de trilhões de dólares", explicou.

De acordo com Mantega, o epicentro da crise está nos países mais desenvolvidos, que tem crescimento mais lento, menos dinamismo na economia". "O esforço é para não permitir que essa redução do crescimento seja aguda, de modo que a recessão não se transforme em depressão, como aconteceu nos anos 30", avaliou.

Setor agrícola

O Conselho Monetário Nacional (CMN) vai elevar a parcela da poupança rural obrigatória para empréstimos ao setor agrícola em reunião hoje à tarde, anunciou o ministro.

(Com reportagem de Carol Pires/Santafé Idéias e informações da Agência Estado)

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