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Manifestações contra trabalhadores estrangeiros continuam no R.Unido

Londres, 3 fev (EFE).- As manifestações contra a contratação de trabalhadores estrangeiros continuaram hoje no Reino Unido, enquanto seguem as negociações para buscar uma solução e o Governo trabalha para evitar uma campanha protecionista.

EFE |

Centenas de funcionários voltaram a se manifestar na refinaria de Lindsey, em North Lincolnshire (norte da Inglaterra), que na semana passada foi o estopim das paralisações que se estenderam a instalações similares no país em solidariedade a esses trabalhadores.

Em apoio a essa greve, cerca de 600 pessoas iniciaram hoje uma paralisação espontânea na central elétrica de Langage, nas cercanias de Plymouth (sul da Inglaterra), e ações similares foram adotadas em outras quatro usinas energéticas do país.

As mobilizações, que já afetaram cerca de 20 instalações, explodiram depois de a Total anunciar que a empresa italiana IREM conseguiu o contrato para construir uma nova unidade de processamento em Lindsey.

Cerca de 100 italianos e portugueses trabalham atualmente na usina, mas espera-se que no próximo mês cheguem mais 300 operários, porque a IREM quer sua própria força de trabalho, integrada principalmente por mão-de-obra dessas duas nacionalidades.

Os trabalhadores britânicos tacharam de "escandalosa" a escolha de funcionários estrangeiros e exigiram ao primeiro-ministro do Reino Unido, Gordon Brown, que cumpra sua promessa feita no ano passado de garantir "empregos britânicos para trabalhadores britânicos".

O chamado Serviço de Arbítrio e Conciliação (Acas), convocado pelo Governo para mediar o conflito, presidiu hoje as negociações entre Total, IREM e os sindicatos, mas não precisou quanto tempo podem durar as negociações.

O ministro da Empresa britânico, Peter Mandelson, disse que não se deve gastar energia com "a política da xenofobia", para aproveitá-la melhor na luta contra a recessão econômica.

Diante das acusações de xenofobia, Derek Dimpson, co-líder do sindicato Unite (o maior do Reino Unido), respondeu que "as ações não oficiais que estão acontecendo em todo o país não têm a ver com raça ou imigração, mas com classe social".

Segundo Dimpson, as greves giram em torno de "empregadores que exploram os trabalhadores independentemente de sua nacionalidade, reduzindo os salários e as condições que, com dificuldades, conquistaram".

Enquanto isso, o deputado trabalhista John Mann jogou mais lenha na fogueira ao propor uma moção parlamentar "deplorando" a utilização de trabalhadores estrangeiros na refinaria de Lindsey.

A moção parabeniza os sindicatos por "expor esta exploração e a falta de igualdade de oportunidades".

Os sindicatos também sustentam que os operários britânicos foram alvo de discriminação, ao argumentar que foram não tiveram a oportunidade de se beneficiar do contrato do IREM.

Tanto o Governo, que se opõe a qualquer medida protecionista, como a Total rejeitam as acusações de discriminação e insistem em que lei vigente não foi descumprida.

A esse respeito, o sindicato GMB diz que os britânicos interpretam de maneira errônea a lei sobre trabalhadores deslocados da União Europeia (UE) de 1996, incorporada à legislação do Reino Unido em 1999.

"Como a lei é interpretada agora, é possível que companhias estrangeiras rejeitem empregar cidadãos britânicos em projetos executados no Reino Unido", assinalou em comunicado a GMB, que representa cerca de 600 mil trabalhadores.

Segundo esse sindicato, "o Governo britânico deveria consultar o Parlamento da UE para pressionar a Comissão Europeia a corrigir essa interpretação".

O secretário-geral da Confederação Europeia de Sindicatos, John Monks, indicou que a disputa evidencia os problemas que surgem na UE quando trabalhadores são empregados fora de seu país de origem.

No entanto, o vice-diretor geral da Confederação da Indústria Europeia (CBI, patronal britânica), John Cridlanda, defendeu a conduta da Total e não achou necessário mudar a lei para proteger os trabalhadores britânicos. EFE pa/mh

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