Buenos Aires, 16 fev (EFE).- O ministro-chefe da Secretaria de Assuntos Estratégicos da Presidência da República, Roberto Mangabeira Unger, iniciou hoje uma visita à Argentina, com a qual busca impulsionar iniciativas concretas e conjuntas para redefinir a economia de mercado neste contexto de crise global.

Depois de se reunir em Buenos Aires com Hugo Moyano, o titular da Confederação Geral do Trabalho, a maior central operária argentina, Mangabeira Unger disse que procura "com o Governo argentino, com os empresários e com os trabalhadores iniciativas concretas que podem ajudar a construir um ideário".

"Não são iniciativas paralelas as que estou buscando, mas identificar iniciativas conjuntas, binacionais, paradigmáticas, exemplares em política industrial, agrícola, trabalho, ciência e tecnologia, educação, e, com isso, criar uma base prática para a construção de um ideário de inclusão", explicou.

"O que quero é utilizar este momento de crise para avançar na reconstrução da economia de mercado", acrescentou o ministro à imprensa argentina.

Ele afirmou que "não basta regular a economia de mercado" nem "contrabalançar as desigualdades geradas no mercado por meio de políticas sociais".

"É preciso reinventar o mercado, reconstruindo as instituições que o definem, uma nova maneira de relacionar as empresas com os Governos, uma forma descentralizada, participativa, pluralista e experimental de coordenação estratégica entre os Governos e as empresas", acrescentou.

Para Mangabeira Unger, também é necessário definir "um conjunto de práticas e regras que promovam entre os produtores a concorrência cooperativa para que possam competir e cooperar ao mesmo tempo".

"O grande paradoxo de nossos países é que estamos cheios de vitalidade, mas historicamente nos introduzimos dentro de uma camisa de força de instituições, de práticas e de ideias que suprimem essa vitalidade, em vez de instrumentá-la", afirmou.

Duas das áreas nas quais o Brasil pretende promover iniciativas comuns são a agrícola e a trabalhista, explicou o ministro, que deve reunir-se também com dirigentes empresariais argentinos e funcionários do Governo de Cristina Fernández de Kirchner.

Mangabeira Unger ressaltou que é necessário regularizar os trabalhadores não registrados na Argentina e no Brasil, "criar uma nova tutela legal para proteger, representar e organizar os trabalhadores temporários e terceirizados, e promover a participação dos trabalhadores no fluxo de resultados das empresas". EFE nk/db

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