Buenos Aires, 17 fev (EFE).- O ministro-chefe da Secretaria de Assuntos Estratégicos (SAE), Roberto Mangabeira Unger, disse hoje em Buenos Aires que é necessário consolidar um projeto de união sul-americana que evite o predomínio das disputas comerciais.

O ministro referiu-se assim, à polêmica entre empresários argentinos e brasileiros sobre o comércio bilateral, fortemente afetado nos últimos meses em consequência da crise econômica global.

"Se nós tivéssemos um projeto definido, essas disputas comerciais pareceriam muito menos importantes hoje", avaliou.

"Ocorre que, quando não há um projeto comum que esclareça, oriente e entusiasme, as pequenas disputas comerciais parecem enormemente importantes. E, quando há um projeto desse tipo, as disputas são vistas com outros olhos", especificou.

Empresários argentinos criticaram na semana passada a proposta da Federação de Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp) de impor restrições a alguns produtos importados da Argentina.

Esta proposta era uma tentativa de represália à decisão da Alfândega argentina de exigir licenças de importação para 800 produtos.

Há três semanas, o Governo brasileiro anunciou que exigiria uma licença prévia para a importação de 60% dos produtos adquiridos no exterior, mas voltou atrás, pressionado pelas críticas de países vizinhos e de empresários brasileiros.

As importações do Brasil à Argentina registraram uma queda anualizada de 46,1% em janeiro, enquanto as exportações brasileiras ao mercado argentino caíram 50,8%.

A fim de abordar o impacto da crise e a situação do comércio bilateral, o chanceler argentino, Jorge Taiana, e os ministros de produção, Débora Giorgi, e de Economia, Carlos Fernández, vieram hoje ao Brasil para se reunir com as autoridades brasileiras.

Por sua vez, Mangabeira reuniu-se hoje com o ministro do Trabalho argentino, Carlos Tomada, e com o vice-presidente da União Industrial Argentina (UIA), Ignacio de Mendiguren, e ainda encontrará o ministro do Planejamento do país vizinho, Julio de Vido, e o governador da província de Buenos Aires, Daniel Scioli.

EFE ms/jp

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