Genebra, 30 jul (EFE).- O comissário de Comércio da União Européia (UE), Peter Mandelson, disse hoje que os países ricos e em desenvolvimento lamentarão, durante dez anos, os prejuízos para os mercados mundiais após o fracasso das principais potências em sua negociação para salvar a Rodada de Doha.

Mandelson afirmou que o rompimento da negociação entre as potências comerciais sobre a Rodada de Doha representa a perda da ocasião para promover a abertura de mercados agrícolas e industriais necessária "não para um ano, mas para dez".

O comissário afirmou que os sete principais negociadores tinham entre "90% e 95%" dos assuntos acertados para um acordo que teria dado um sinal positivo para a economia mundial e que a Rodada de Doha não terminou por uma questão "pequena".

Brasil, Austrália, China, Estados Unidos, Índia, Japão e União Européia (UE) não chegaram a um acordo sobre como e quando abrir seus mercados agrícolas e industriais, e em quanto os países ricos deveriam reduzir seus subsídios nem que tipo de proteção deveria ser permitida aos países pobres.

"Perdemos a oportunidade de iniciar a abertura de mercados necessária não para o ano que vem, mas para dez anos", declarou Mandelson em seu discurso na reunião dos 153 Estados-membros da Organização Mundial do Comércio (OMC).

Nesta reunião, os membros da OMC discutiram as conseqüências do fiasco de ontem, após nove dias de intensas negociações.

Tanto Mandelson quanto a outra negociadora da UE, a comissária de Agricultura da UE, Mariann Fischer Boel, acreditam que se perdeu a oportunidade para dar um bom sinal em um momento de incerteza pela crise mundial e o aumento de preços.

O chefe negociador da UE lamentou na OMC as resistências e a "falta de vontade política" sobre uma questão muito concreta, "que desencadeou um desastre".

Neste sentido, Mandelson se referiu ao assunto que causou o fracasso e as tensões entre os países mais duros nas negociações (Índia, China e EUA): a chamada cláusula da salvaguarda e o momento em que se deve colocar em andamento quando um país deseja proteger sua agricultura de importações em massa.

Por um lado, Índia e China mantiveram posições mais ferrenhas e defenderam a proteção de seus cultivos, como algodão e arroz. Por outro lado, os EUA pediam a estes dois países que cedessem, mas os americanos se recusaram a cortar seus subsídios.

"O fracasso é maior porque foi constatado após uma semana de êxito que o obtido nos primeiros momentos desta reunião ministerial superou maciçamente as expectativas da maioria", declarou Mandelson.

No entanto, o comissário europeu defendeu evitar o protecionismo e disse que está disposto a retomar o diálogo ainda este ano, para ter certeza de que a Rodada de Doha pode ser ressuscitada. EFE ms/wr/fal

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