Uma doença pouco conhecida e muito favorecida pelo tempo chuvoso e de temperatura amena tirou o sono dos cafeicultores da região da Alta Mogiana, em São Paulo: a mancha aureolada. Causada pela bactéria Pseudomonas syringae pv.

Uma doença pouco conhecida e muito favorecida pelo tempo chuvoso e de temperatura amena tirou o sono dos cafeicultores da região da Alta Mogiana, em São Paulo: a mancha aureolada. Causada pela bactéria Pseudomonas syringae pv. garcae, a doença ataca todas as partes da planta (ramos, flores, frutos e folhas), causando necrose e até a morte do pé de café. Segundo o agrônomo da Cooperativa de Cafeicultores e Agropecuaristas (Cocapec), Saulo Faleiros, a doença causou grandes perdas para os produtores de café da região. "É difícil estimar um número global, pois ela atingiu várias propriedades em níveis diferentes, mas houve propriedades que visitamos com 80% dos pés contaminados". Faleiros diz que as áreas de plantio situadas em regiões mais altas, acima dos 950 metros, foram as mais atingidas. "Isso porque nessas áreas a ocorrência de ventos é muito maior, o que faz com que a bactéria se espalhe com mais facilidade", diz Faleiros. Foi o caso da propriedade do produtor Erásio de Garcia Júnior, em Franca (SP). Com áreas de plantio acima dos 1.100 metros de altitude, ele teve todos os seus 40 hectares de lavoura infectados pela bactéria. "Minha lavoura estava linda e acabou 'derretida' pela doença", lamenta Garcia. Entretanto, levando em conta o tamanho da infecção, as perdas de produtividade não serão tão grandes. Ao todo, Garcia projeta para a safra, que começa a ser colhida este mês, uma quebra próxima dos 30%. "Sem o ataque eu esperava colher 40 sacas de café por hectare. Agora, creio que esse número deve girar em torno das 30 sacas", lamenta. Confusão. O diagnóstico correto e o imediato combate à doença, a exemplo do que foi feito na propriedade de Garcia (que acabou servindo de centro de treinamento para os produtores da região), são vitais para evitar perdas maiores, na opinião de Faleiros. "Em muitos casos, porém, o diagnóstico não foi feito no momento certo e nem da forma correta", diz o agrônomo. Ele conta quem em alguns casos a mancha aureolada foi confundida com outras duas doenças causadas por fungos: a Phoma e a cercosporiose. "O fato é que o tratamento de uma não serve para a outra e isso acabou causando mais perdas." De acordo com ele, o tratamento indicado para a mancha aureolada é baseado na pulverização de antibióticos e cobre. De acordo com Faleiros, a recomendação que tem sido passada aos produtores, mesmo aqueles que já tiveram suas lavouras "derretidas" pela doença, é fazer uma pulverização agora, e outra em meados de agosto. "É importante fazer esse controle pois, ainda que o tempo melhore daqui pra frente, a doença pode ficar incubada e voltar depois, quando voltar a chover constantemente." Para atender aos chamados dos produtores, que desde o fim do ano passado têm relatado a ocorrência de focos da doença em suas propriedades, a Cocapec destacou uma equipe de 14 agrônomos que visitam as propriedades e ensinam os produtores e funcionários a identificar a mancha aureolada e fazer o combate.
    Faça seus comentários sobre esta matéria mais abaixo.