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Mais três governos salvam bancos na Europa

Governos de mais três países, França, Irlanda e Islândia, entraram ontem na ciranda de estatizações, nacionalizações e intervenções no sistema bancário da Europa.

Agência Estado |

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Em Bruxelas, o banco de investimentos e seguradora Dexia - o 10º mais lucrativo do mundo em 2007 - foi parcialmente nacionalizado por franceses, belgas e luxemburgueses após a injeção de ¿ 6,4 bilhões por acionistas públicos dos três países.

Na Islândia, o governo anunciou a nacionalização do banco Glitnir, com aporte de ¿ 600 milhões. E o governo da Irlanda informou que garantirá poupanças, depósitos comerciais, obrigações e empréstimos de seis bancos.

A primeira das intervenções confirmou a expectativa do mercado. Depois da queda de 30% no preço de suas ações na Bolsa de Bruxelas, na segunda-feira, o Dexia acordou sob nova direção. Pierre Richard e Axel Miller, os diretores do grupo, demitiram-se ao mesmo tempo em que os ministros da Economia da França, da Bélgica e de Luxemburgo divulgavam a ação conjunta. Com a injeção dos ¿ 6,4 bilhões, o governo belga tornou-se majoritário e o francês terá poder de veto nas decisões.

A ação conjunta garantiu a retomada do preço dos títulos da companhia - que subiram 4,47% na Bolsa de Paris -, mas não afastou de todo a instabilidade no sistema bancário belga. No domingo à noite, o banco Fortis, um dos mais importantes do continente, já havia enfrentado a bancarrota. Escaldado, o primeiro-ministro belga, Yves Leterme, disse que a "zona de perigo" ainda existe, não apenas na Bélgica como em outros países da Europa. "Continuamos muito vigilantes. Às vezes, em questão de horas todo o sistema bancário belga é colocado em perigo", alertou. "Sem dúvida acontecerão coisas semelhantes em outros países."

A estimativa se mostrou correta ao longo do dia. Em Reykjavik, na Islândia, o governo anunciou a compra de 75% das ações do Glitnir, que tem operações em 10 países. A intervenção tem um significado simbólico para os islandeses, cujo crescimento econômico está estreitamente ligado ao setor bancário e financeiro.

Na Irlanda, o governo vai garantir depósitos e débitos até setembro de 2010. O seguro cobre seis instituições: Allied Irish Banks, Bank of Ireland, Anglo Irish Bank, Irish Life and Permanent, Irish Nationwide Building Society e Educational Building Society.

As intervenções ampliaram para nove a lista de países da Europa que já socorreram o sistema financeiro. Desde o fim da semana passada, Reino Unido, Dinamarca, Bélgica, Holanda, Luxemburgo e Alemanha já haviam tomado iniciativas semelhantes. O risco de novas falências continua e, com ela, a vigilância dos bancos centrais. Em Londres, há temor pela saúde financeira do Lloyds TSB, em caso de absorção do rival HBOS, e do Royal Bank of Scotland (RBS). Ontem, o Lloyds TSB perdeu 12% do valor de suas ações na Bolsa de Londres.

Além das ameaças de falências entre grandes instituições, a União Européia começa a temer falências transnacionais mais complexas, que envolvam bancos de maior porte. Ontem, a ministra da Economia da França, Christine Lagarde, justificou a intervenção no Dexia, que custará ¿ 3 bilhões ao governo francês, pelo temor de que haja risco sistêmico. "Era indispensável intervir no capital do Dexia. Era preciso apoiar e assegurar a estabilidade do sistema financeiro", declarou.

Christian Stoffaës, membro do Círculo de Economistas de Paris, alertara em entrevista ao Estado que a crise de liquidez transformou-se em algo mais importante. "Estamos diante do aprofundamento de uma crise de solvência e não apenas de liquidez. E não conhecemos sua amplitude real."

Diante das ameaças que ainda pairam sobre o continente, a Comissão Européia pediu que os Estados Unidos assumam suas responsabilidades pela crise. Johannes Laitenberger, porta-voz da entidade, recriminou a América pela crise. "As turbulências financeiras que enfrentamos vêm dos Estados Unidos e se converteram em um problema global."

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