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Patamar é o maior dos últimos 12 meses, segundo a entidade; em um mês, indicador subiu dez pontos percentuais

A proporção de famílias paulistanas endividadas aumentou para 52% em julho, o maior nível de 2010 e dos últimos 12 meses, de acordo com Pesquisa de Endividamento e Inadimplência do Consumidor da Federação do Comércio, Bens, Serviços e Turismo do Estado de São Paulo (Fecomercio-SP). Em junho, o índice estava em 42%, e em julho de 2009, em 46%. O crescimento foi verificado depois de três meses consecutivos de queda no endividamento. Em números absolutos, 1,85 milhão de famílias na capital paulista têm algum tipo de dívida.

Para a assessora econômica da Fecomercio-SP, Adelaide Reis, o endividamento reflete os bons resultados da economia brasileira, tais como a elevação do emprego formal, da massa de rendimentos e do crédito. "A intenção de consumir das famílias segue em alta, ainda sob efeito do Dia dos Namorados e da Copa do Mundo, que provocaram picos de venda e elevação do endividamento familiar mesmo com o crescimento das taxas de juros", afirma, em nota divulgada pela entidade.

A proporção de famílias com contas em atraso também aumentou em julho, para 15%, ante 13% em junho, bem como a de famílias inadimplentes, de 4% em junho para 6% em julho. De acordo com a Fecomercio-SP, 531 mil famílias em São Paulo estão com contas atrasadas e 220 mil famílias estão inadimplentes. Segundo a pesquisa, do total de famílias com contas em atraso, 56% das famílias estão com pagamentos atrasados há mais de 90 dias e 25% em até 30 dias. O tempo médio de atraso foi de 65 dias.

Segundo Adelaide Reis, os resultados não preocupam a entidade. "As elevações verificadas nas proporções de famílias inadimplentes e com contas em atrasado este mês sugerem acomodação dos índices em patamares ligeiramente mais elevados na comparação ao mês anterior, sem riscos de descontrole", afirmou.

De acordo com o levantamento, 52% das famílias endividadas têm entre 11% e 50% de sua renda comprometida com o pagamento de dívidas, 20% têm mais da metade de sua renda comprometida e 19%, até 10% de sua renda. A dívida mais comum entre as famílias paulistanas é o cartão de crédito (66%), seguido por carnês (25%), financiamento de veículos (12%), crédito pessoal (11%) e cheque especial (7%). A pesquisa é feita mensalmente pela Fecomercio-SP com 2,2 mil consumidores na cidade de São Paulo.

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