O investidor que comprou ações em alguma oferta pública inicial (IPO, na sigla em inglês) nos últimos cinco anos e manteve os papéis em carteira tem grandes chances de amargar prejuízo. Levantamento da Economática, feito a pedido do Estado, mostra que, das 98 ações lançadas de 2005 a 2009, 51 têm desempenho negativo desde o início das negociações na Bolsa de Valores de São Paulo (Bovespa).

O investidor que comprou ações em alguma oferta pública inicial (IPO, na sigla em inglês) nos últimos cinco anos e manteve os papéis em carteira tem grandes chances de amargar prejuízo. Levantamento da Economática, feito a pedido do Estado, mostra que, das 98 ações lançadas de 2005 a 2009, 51 têm desempenho negativo desde o início das negociações na Bolsa de Valores de São Paulo (Bovespa). Motivadas pelo longo ciclo de alta que a bolsa passava, muitas empresas se lançaram no mercado. Algumas, dizem especialistas, em momentos equivocados. "2007, particularmente, foi um período de intensa demanda dos investidores e grande oferta das companhias, em um fenômeno quase de bolha, no qual todos acreditavam em lucro rápido nos primeiros dias após a ação ser lançada", lembra o professor de finanças da Fundação Getúlio Vargas, Rogério Sobreira. " Todos esperavam uma entrega de resultado maior, seja por receita, vendas, etc, que não se confirmou", diz o chefe de análise da corretora Link, Andrés Taihei Kikuchi. Dificuldade. A crise que assolou o mercado acionário logo em seguida, em 2008, também pegou despreparadas muitas empresas, que se haviam lançado na bolsa com a expectativa de que o mercado continuasse na tendência de alta. Das 59 ofertas de 2007, 39 estão no vermelho. Em alguns casos, o preço atual chega a estar mais de 80% menor que o do lançamento. A grande quantidade de ofertas de ações no período e o alto porcentual de papéis que ainda não se recuperaram não saíram ainda da memória do investidor. "Muita gente já está saturada dessas operações e o investidor percebeu que, em muitos casos, não consegue avaliar direito a empresa porque não a conhece bem", diz a analista-chefe da Corretora Spinelli, Kelly Trentin. Sem sentido. Um dos investidores que tiveram a expectativa frustrada foi o médico Bruno Coutinho, de 33 anos, que no ano passado comprou os papéis da Visanet, atual Cielo. Após a oferta, as ações passaram a seguir sem tendência definida e hoje acumulam desvalorização de mais de 2%. "O pagamento de contas via cartão cresce cada vez mais. Além disso, as ações tiveram ótimo desempenho na estreia nos Estados Unidos. Não faz sentido desvalorizar", diz o investidor que resolveu sair do papel há pouco mais de uma semana. A diminuição do apetite dos investidores é sentida nas ofertas mais recentes. Enquanto no passado, os IPOs chegavam facilmente atrair mais de 10 mil investidores, as ofertas deste ano não reuniram mais que 3 mil pessoas, de acordo com dados da BM&FBovespa. "Fica na memória o que ele perdeu com os IPOs", diz a professora de finanças do Insper, Andrea Minardi. <i>As informações são do jornal O Estado de S.Paulo.</i>
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