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O desemprego atingiu seu mais alto nível em cinco anos em agosto nos Estados Unidos, de 6,1% da população ativa, com o oitavo mês consecutivo de perda de postos de trabalho, reforçando assim os riscos de recessão.

A primeira economia mundial perdeu 84.000 empregos mês passado (depois de 60.000 em julho), indicou nesta sexta-feira o departamento do Trabalho, que revisou os dados do mês anterior.

O desemprego, que havia ficado em 5,7% em julho, voltou a seu nível mais alto desde setembro de 2003.

"Isso cheira recessão", resumiu o economista John Ryding, da RDQ Economics.

Apesar deste pessimismo, a Casa Branca lamentou o aumento do desemprego, mas disse que não está estudando nenhum plano de retomada.

"Não acreditamos que temos necessidade de estudar agora um segundo plano de retomada", afirmou Dana Perino, porta-voz da Casa Branca.

Em agosto, o setor mais atingido foi o da indústria, que cortou 61.000 empregos, devido principalmente às dificuldades do setor de automóveis. O setor da distribuição cortou 20.00O postos, o da construção, 8.000 e o de serviços nas empresas, que cobre as agências de trabalhos temporários, 53.000. Em contrapartida, o setor de educação/saúde criou 55.000 empregos.

No total, a economia perdeu 605.000 empregos desde o início do ano, e para os analistas a tendência vai sem dúvida continuar.

"As criações de empregos no setor da saúde são robustas, mas elas escondem fraquezas, e está claro que isso não pode durar. Além disso, o nível elevado das contratações de trabalhadores temporários indica que o emprego vai provavelmente continuar caindo nos próximos meses", comentou Sal Guatieri da BMO Groupe financier.

Estes são sinais ruins para a saúde da economia americana, muito dependente do consumo das famílias.

"O relatório confirma que a economia está virtualmente em recessão", acrescentou Guatieri, que prevê uma leve contração do PIB (Produto Interno Bruto) no terceiro e no quarto trimestre.

Dois trimestres consecutivos de contração da economia correspondem à definição clássica da recessão.

Esta ameaça paira há vários meses sobre a economia americana, destinada ás piores catástrofes por uma parte dos analistas desde o início da crise financeira do verão de 2007 (no Hemisfério Norte).

No fim de agosto, alguns dados positivos trouxeram uma esperança de melhora, mas hoje sabemos que estas notícias boas foram só fogo de palha.

"Os dados de crescimento no segundo trimestre deram um falso sinal de retomada", resumiu Avery Shenfeld do CIBC World Markets, referindo-se à taxa revisada de 3,3% em vez dos 1,9% anunciado anteriormente.

Com a aproximação da eleição presidencial de novembro, esta degradação do emprego suscitou reações imediatas dos dois candidatos, o republicano John McCain prometeu "preparar cada trabalhador aos empregos de amanhã" enquanto o democrata Barack Obama se comprometeu a "reduzir os impostos para 95% das famílias que trabalham".

Para o banco central, esta má notícia deve constituir um forte incentivo para o statu quo.

"O Federal Reserve (Fed) vai manter sua taxa a 2% acreditando que este é um nível bastante estimulante para curar a economia e recolocá-la nos trilhos certos em 2009", disse Guatieri.

cg/lm

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