A Magnesita anunciou ontem a compra do grupo alemão LWB por 657 milhões. O negócio dará origem à terceira maior empresa de refratários do mundo - os refratários são usados nos fornos de siderúrgicas e produtoras de cimento, como a ArcelorMittal, Usiminas, Gerdau e Grupo Votorantim.

O movimento vem na esteira do forte crescimento do setor de aço e cimento em todo o mundo, que provocou a alta dos principais insumos dessas indústrias, como carvão e minério de ferro.

As líderes mundiais são a belga Vesuvius e o grupo austríaco RHI. Antes da compra, a Magnesita era a sexta colocada e a LWB era a sétima. Por ser muito pulverizado, o setor produtor de refratários ficou atrás no reajuste de preços, em comparação com os demais insumos.

"O pequeno porte dos produtores dificultava as negociações com as siderúrgicas porque eles tinham pouco controle sobre a oferta global", disse o analista da Santander Corretora, Felipe Reis. Segundo ele, a união da Magnesita com a LWB dará maior poder de barganha para essas empresas reajustarem os preços. No Brasil, as principais concorrentes da Magnesita são a Saint-Gobain e a Vesuvius.

A operação, que deve gerar sinergias de 25 milhões a partir de 2009, atende a um pleito antigo dos clientes da Magnesita no Brasil que têm operação no exterior, como a Gerdau e a ArcelorMittal. "Esse foi um dos motivadores da compra, além da forte complementaridade", disse Reis. Outra vantagem é que as empresas poderão fazer uma integração vertical em produtos de magnesita e dolomita, segundo o analista da Link Investimentos, Leonardo Alves. A empresa brasileira tem maior produção de magnesita, enquanto a LWB é grande produtora de dolomita.

Em relatório, a Ativa Corretora destacou que a diversificação geográfica será um dos principais benefícios da união. Antes da compra, 90% das operações da Magnesita estavam concentradas na América do Sul. Com a LWB, essa região passará a representar 51% dos negócios, seguida pela Europa (25%), América do Norte (15%), Ásia (7%) e África (2%). A corretora destacou ainda a expansão da base de clientes, que reforçará o relacionamento com grandes clientes globais.

Dos 657 milhões do acordo, 108 milhões serão pagos em dinheiro, 169 milhões por meio de emissão de 23.457.778 novas ações e o restante por meio de um financiamento obtido com o JP Morgan. Essa emissão diluirá as participações dos atuais acionistas da Magnesita, fazendo com que a estrutura acionária da companhia após a operação seja: GP com 40,2%, Gávea com 10,3%, acionistas da LWB com 11% e minoritários com uma fatia de 38,5%.

Atualmente, o controle está dividido entre GP, que detém uma fatia de 44,8%, Gávea, com 11,9%, e minoritários, com 43,2%. Juntas, Magnesita e LWB devem atingir uma produção pro-forma de 1,121 milhão de toneladas por ano.

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