Agora já se pode falar a respeito do que aconteceu. Nas últimas semanas, alguns dos principais agentes, executivos e nomes influentes de Hollywood foram à Universidade da Califórnia, em Los Angeles, para oferecer à próxima onda de magnatas chineses da televisão e do cinema aulas particulares sobre a essência do show business.

Apesar de não ser exatamente um segredo de Estado, as sessões foram realizadas sem exposição à mídia por causa daquilo que Robert Rosen - reitor da escola de teatro, filme e televisão da universidade - chamou de "questões de segurança". Estas se referiam ao bem-estar de várias dúzias de executivos chineses, a maioria entre os 20 e os 30 anos, e não às figuras influentes, que já conhecem bem o meio em que se encontravam.

Os freqüentadores foram escolhidos pela administração estatal chinesa de rádio, filmes e televisão, e chegaram sob a constante supervisão de Jiao Hongfen, um vice-presidente da China Film Group Corp. Estes incluíam ao menos alguns indivíduos cujo alcance seria invejado pela HBO. "Ele possui 800 milhões de espectadores", disse Rosen durante o seminário final. Rosen estava se referindo a um jovem que administra um canal chinês de filmes.

De acordo com a programação das palestras - divulgada somente durante a sessão final -, Ron Meyer, presidente da Universal Studios Group, fez uma visita em agosto para dar algumas dicas de como administrar um estúdio de cinema. Dan Glickman explicou a função da associação dos cineastas americanos. Mike Simpson explicou a função dos agentes. Mark Gill, um produtor, explicou a arte dos filmes independentes.

Gareth Wigan, ex-vice-presidente da Sony Pictures Entertainment que agora presta assessoria ao estúdio em co-produções estrangeiras, disse que ele e seus colegas executivos fizeram o papel de vilões ao lidar com os estrangeiros. "Hollywood não adquiriu boa reputação durante as suas aventuras junto a outros países", disse.

Quando a palestra foi aberta a perguntas, os chineses revelaram preocupações de outra natureza. O primeiro deles queria saber o que estava havendo com o escritório da Sony em Hong Kong, onde a atividade parece estagnada. Wigan reconheceu que sua empresa havia realocado parte dos seus investimentos para Rússia e Índia. Outro perguntou como os filmes chineses poderiam atingir uma audiência global se o público americano continua a rejeitar as legendas.

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