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Os antigos concorrentes Ricardo Nunes, de 40 anos, da rede varejista mineira Ricardo Eletro, e Luiz Carlos Batista, de 45, da baiana Insinuante, aguardam, nos bastidores, o início da primeira convenção de vendas da empresa criada a partir da fusão de suas redes, a Máquina de Vendas. Eles sorriem, se abraçam com frequência, mas não disfarçam o nervosismo.

Os antigos concorrentes Ricardo Nunes, de 40 anos, da rede varejista mineira Ricardo Eletro, e Luiz Carlos Batista, de 45, da baiana Insinuante, aguardam, nos bastidores, o início da primeira convenção de vendas da empresa criada a partir da fusão de suas redes, a Máquina de Vendas. Eles sorriem, se abraçam com frequência, mas não disfarçam o nervosismo. Ao longe, o barulho provocado pelos mil gerentes de loja e supervisores regionais, "armados" com apitos, cornetas e traques do lado de fora do salão, fica gradativamente mais alto. Em minutos, eles estariam entoando o novo grito de guerra da empresa - que faz alusão às campanhas publicitárias de Insinuante e Ricardo Eletro antes da fusão: "A Insinuante derrubou, a Ricardo cobriu, a Máquina de Vendas estremece o Brasil." As divisórias instaladas no camarim tremem. Nunes, olhos arregalados, não consegue segurar o mineiríssimo "Nossa Senhora!" O evento, realizado na Costa do Sauípe, na Bahia, entre domingo e ontem, foi o primeiro a integrar os funcionários das duas empresas. O Estado foi escolhido por razões logísticas e financeiras, segundo Fernando Barros, presidente da Propeg, agência baiana que organizou a convenção. "Aqui é mais ou menos o meio do caminho entre os funcionários que vêm do Norte e que vêm do Sul", justificou. Foi na Bahia também que se deflagrou a primeira grande guerra entre as duas redes, em 2005, quando a Ricardo Eletro decidiu investir no Estado - desafiando a Insinuante, que operava ali com liderança folgada. Além disso, o Estado será o único no qual as duas marcas serão mantidas. As que estão ao norte serão transformadas em Insinuante. As demais, em Ricardo Eletro. "Na Bahia, as lojas da Ricardo foram instaladas próximas às da Insinuante", conta Barros. "Como a proximidade inviabiliza a união das bandeiras e não há interesse em fechar estabelecimentos, as duas vão continuar competindo aqui." Competindo? "Para a gente, não tem essa história de mesma empresa", diz a gerente regional da Ricardo Eletro, Valdineide Nascimento. "É legal saber que a empresa está mais forte, que vai conseguir negociar melhor com os fornecedores, mas no dia a dia é uma contra a outra. É a nossa filosofia." Na cúpula, porém, tanto Batista quanto Nunes garantem que a animosidade ficou para trás. "Este é o momento mais feliz da minha vida", diz o dono da Insinuante. "Há quatro anos, perdi um irmão, aos 38 anos, e o Ricardo é o irmão que escolhi para ter ao meu lado." A convenção começa como uma final de Copa do Mundo. Gritaria, algazarra, abraços, aplausos. Nas camisetas verde-amarelas, a mensagem "Juntos, somos a Máquina de Vendas". Telões exibiam a frase "Agora somos gigantes". "Dá orgulho trabalhar para uma empresa tão grande, que está sendo tão falada", comentou o coordenador regional da Insinuante em Natal, Paulo César Simões Leite. Telão. Com as cortinas do palco ainda fechadas, os telões projetavam a gravação da reportagem do Jornal Nacional sobre a fusão. Aplausos e gritos. As cortinas são abertas. Nunes e Batista estão abraçados. Mais aplausos. Aparentemente constrangidos com a situação, os dois têm dificuldade em seguir o roteiro, que previa uma mescla de telejornal - eles dividiram uma bancada, de onde tentavam ler os textos - e de talk-show (executivos de empresas fornecedoras foram convidados a conversar com eles no palco). Entre os "quadros", uma banda cantava o nome das empresas na versão Rebolation. Assim mesmo: "Insinuation, tion, Ricardation, tion." Os gerentes entraram no espírito, cantando e dançando a música. A explosão do auditório, porém, veio quando o presidente da Whirlpool, José Drummond, um dos convidados para o evento, anunciou que cada um dos participantes ganharia um micro-ondas de presente. Foi o suficiente para fazer os gerentes subirem nas cadeiras, gritarem, apitarem, pularem em rodinhas. Como em um gol da Seleção.
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