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M. Jorge: incerteza dificulta planejar produção de 2009

O ministro do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior, Miguel Jorge, afirmou hoje que o principal problema da cadeia automotiva é a incapacidade de planejamento da produção para 2009. Ele citou os números apresentados ontem pela associação das montadoras no País, a Anfavea, que mostraram uma queda de 25% nas vendas de veículos em novembro em comparação com o mesmo mês do ano passado, e comentou que há cerca de 300 mil veículos parados nos pátios das fabricantes.

Agência Estado |

A queda no volume de concessão de empréstimos, segundo o ministro, tem afetado o desempenho da indústria de forma geral, mas ele considera que o principal entrave, neste momento, são as incertezas em relação ao desempenho futuro da economia.

"O maior problema para a cadeia automobilística, desde a indústria do aço até as montadoras, é a absoluta incapacidade de prever o ritmo de produção no primeiro trimestre de 2009", afirmou. "A crise de confiança talvez seja o maior problema do País neste momento", acrescentou ele.

Para Miguel Jorge, o sistema financeiro brasileiro apresenta uma situação de solidez maior do que os de outros países. Ele admitiu, no entanto, que o País enfrenta uma fuga de capitais que resulta na escassez de crédito para exportação e na valorização do dólar ante o real. "Essa movimento do câmbio pode ter algum efeito inflacionário, que pode ser em parte compensado pela queda das commodities", comentou. Como conseqüência da falta de crédito, acrescentou Miguel Jorge, o volume de exportações já apresenta redução, assim como a produção de bens duráveis cai e os planos de investimentos da indústria são revisados.

Ele citou todas as medidas anunciadas pelo governo federal até o momento para combater os efeitos da crise financeira global, como a liberação de recursos extras para o setor agrícola e indústria e para linhas exclusivas de capital de giro. "Esperamos desaceleração da atividade econômica em 2009, mas será menor do que em outros países. Enquanto os Estados Unidos contabilizam demissões, temos redução no número de admissões", disse o ministro, citando dados oficiais do governo federal.

BNDES

O ministro afirmou que os desembolsos do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) podem atingir a cifra de R$ 90 bilhões este ano. "Até o final do ano, é provável que o BNDES libere R$ 90 bilhões para projetos de investimento", disse o ministro ao participar do Encontro Anual da Indústria Química, promovido pela Abiquim, em São Paulo.

De janeiro a outubro, o BNDES liberou R$ 71,5 bilhões para financiamentos, um avanço de 44% em relação ao mesmo período do ano passado e valor 10% superior ao total desembolsado em todo o ano passado. "O BNDES tem se esforçado para fazer frente aos projetos de investimento do País", disse Miguel Jorge.

Segundo ele, o Cartão BNDES ultrapassou pela primeira vez a marca de R$ 100 milhões em empréstimos em um único mês, com a liberação de R$ 110 milhões em outubro. Por meio desse instrumento, destacou o ministro, o banco de fomento consegue atingir um número maior de empresários. "Manter o nível de investimento é fundamental para passar pela crise", afirmou.

Rodada Doha

Miguel Jorge disse que o governo deve partir para acordos setoriais, caso a nova tentativa para conclusão da Rodada Doha da Organização Mundial do Comércio (OMC), este mês, volte a falhar. "Se houver impasse, uma das alternativas estudadas pelo governo é partir para acordos setoriais", disse. Segundo ele, essa possibilidade já é admitida pelo ministro brasileiro de Relações Exteriores, Celso Amorim.

Miguel Jorge, que trabalhou durante 14 anos na Volkswagen, disse que sempre apoiou a formação de acordos setoriais com parceiros comerciais do Brasil e citou o convênio entre o País e o México na indústria automobilística como exemplo para outros setores.

Ele afirmou que a recente declaração do ministro de Comércio da Índia, Kamal Nath, de que seu país não tem a menor intenção de mostrar flexibilidade na reunião de ministros que deve ocorrer na próxima semana, "põe água gelada na fervura das negociações". A Índia argumenta que, neste momento, está mais preocupada com as ações recentes de terrorismo no país do que em avançar nas negociações de comercio internacional.

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