O ministro de Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior, Miguel Jorge, informou hoje que um grupo de trabalho formado pelo Banco Central (BC) e os Ministérios da Fazenda e do Desenvolvimento estão elaborando medidas para dar mais linhas de crédito ao exportador brasileiro, que serão entregues ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva na próxima semana. Segundo ele, o governo ainda não sabe quais serão essas medidas, mas quer trabalhar preventivamente para que, em um eventual agravamento da crise, já tenha instrumentos para atuar.

Criatividade

Ao ser questionado quais poderiam ser essas medidas, Miguel Jorge citou a liberação de mais recursos para o Programa de Crédito à Exportação (PROEX) , mais linhas de Adiantamento sobre Contratos de Câmbio (ACC) e mesmo do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES). Ele destacou, contudo, que o governo precisa ser mais criativo. "Todas essas que eu citei são coisa óbvias, temos que trabalhar com coisas não óbvias porque esta é uma crise diferente. Temos que ser criativos", disse o ministro, na Confederação Nacional da Indústria (CNI) para participar da entrega da Medalha do Conhecimento. A uma pergunta sobre o que seria ser criativo, Miguel Jorge respondeu que o governo precisa estar preparado para agir preventivamente. "Não esperar os problemas acontecerem para depois agir."

Segundo o ministro, diante da possibilidade de os financiamentos para o exportadores "secarem" ou se tornarem mais caros, o governo quer discutir medidas para serem implementadas agora, ou para ficarem na prateleira. Miguel Jorge lembrou que metade das exportações, o que representa cerca de US$ 100 bilhões, é financiada. Ele garantiu, no entanto, que os exportadores ainda não reclamaram no Ministério de não conseguirem linhas de financiamento. "A crise não está forte para os exportadores. Ninguém ligou para o Ministério ou para o ministro para falar de problemas", relatou. Sem dar detalhes, Miguel Jorge disse que os problemas que já surgiram para o comércio exterior têm a ver com especulação e não com a falta da linha de crédito.

Miguel Jorge também avaliou que o Brasil continuará recebendo os investimentos estrangeiros. Segundo ele, o País tem uma situação diferente porque os bancos brasileiros não estão na crise uma vez que não entraram "neste cassino" que ocorreu no setor financeiro norte-americano, no qual também aconteceram várias fraudes.

BNDES

O volume de financiamento às exportações do BNDES não chega a 3% da exportações totais pelos últimos dados disponíveis, referentes a agosto. Nos 12 meses até agosto, os desembolsos de financiamento às exportações somaram U$ 4,952 bilhões de reais, para um total de exportações no período de US$ 189,059 bilhões. De janeiro a agosto, o crédito desembolsado pela instituição para exportações foi de US$ 3,396 bilhões para um total de exportações de US$ 130,8 bilhões.

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