BRASÍLIA - Apesar do emprego formal ter registrado no mês passado a primeira queda dos últimos 10 anos para meses de janeiro, o ministro do Trabalho, Carlos Lupi, prefere manter-se otimista e afirmar que o efeito da crise mundial é menos grave do que se esperava. O saldo é negativo, mas não caminha para a catástrofe que muitos estão anunciando, afirmou ele.

Em janeiro, as demissões superaram as contratações em 101,7 mil. O último janeiro negativo foi em 1999, com a dispensa líquida de 41,2 mil trabalhadores com carteira assinada, de acordo com os números do Cadastro Geral de Empregados e Desempregados (Caged), do Ministério do Trabalho.

Segundo Lupi, "há demonstrações inequívocas" de reaquecimento do mercado de trabalho, depois de ser atingido duramente pela crise financeira mundial em dezembro, com o fechamento de quase 655 mil postos.

Ele apontou como exemplo o fato de as contratações totais em janeiro terem atingido 1.216.550, o segundo maior contingente, que perde apenas para janeiro de 2008 (1.308.922). Já as demissões no mês somaram 1.318.298.

Lupi destacou que quatro setores - construção civil, serviços, serviço público e de utilidade pública - admitiram mais do que demitiram no mês. "E oito Estados tiveram saldo positivo", complementou ele.

Sob essa ótica de um cenário "nem tão tenebroso" quanto o de outros países mais afetados pela crise, Lupi prevê que fevereiro "será difícil, mas bem menos difícil do que janeiro", também com chances de maior volume de demissões do que os empregos criados.

"Março, com certeza, inverterá essa curva de quedas e teremos números positivos", afirmou o ministro do Trabalho, citando que haverá a influência de novas obras do Programa de Aceleração do Crescimento (PAC), como o pacote de habitação popular em gestação no governo.

À espera desse novo cenário, Lupi prefere manter sua projeção de um saldo de 1,5 milhão de novos empregos formais em 2009, acima dos 1,45 milhão criados em 2008.

(Azelma Rodrigues | Valor Online)

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