O presidente brasileiro, Luiz Inácio Lula da Silva, mostrou-se ontem preocupado com a possibilidade de outros líderes da América do Sul utilizarem politicamente conflitos com empresas brasileiras como plataforma populista para se fortalecerem em seus países. Se a Odebrecht cometeu uma falta, deve pagar.

O que me parece delicado é que o problema com a empresa passa a um segundo plano e se subordina à política interna do país", disse Lula.

Em poucas palavras, na interpretação do jornal espanhol El País, o presidente avisa a seus vizinhos - em especial, Equador, Bolívia e Venezuela - que não utilizem os conflitos com empresas estrangeiras para ações populistas.

Mas defendeu que o País adote uma posição de "tolerância" em relação aos governos vizinhos. "O Brasil, a economia mais forte da América do Sul, precisa ter mais responsabilidade, tolerância e paciência. É assim que têm de ser as coisas para dar certo no mundo", disse Lula. Ele também garantiu que não interferirá se empresas brasileiras cometerem erros ou desrespeitarem contratos.

Apesar do discurso conciliador, porém, ele alertou que o governo brasileiro não ficará de braços cruzados se companhias do País forem usadas como instrumentos para fortalecer internamente governos da região. Para o presidente, a expulsão da Odebrecht do Equador deve ser tratada apenas como "uma questão comercial".

O presidente do Equador, Rafael Correa, expulsou a Odebrecht dia 23, após a hidrelétrica de San Francisco, construída pela empresa brasileira, apresentar problemas que a paralisaram. Correa também ameaçou nacionalizar um campo petrolífero explorado pela Petrobrás.

Em resposta, o Brasil cancelou uma missão comercial ao país. "Suspendi a missão porque não tem sentido o esforço para trabalhar em conjunto e ler notícias de que há retaliação", disse Lula. Marco Aurélio Garcia, assessor do Planalto para assuntos internacionais, confirmou que "questões internas" eram parte da explicação para o problema no Equador. As informações são do jornal O Estado de S.Paulo.

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