SÃO PAULO - A economia brasileira deve mostrar no segundo trimestre deste ano resultados melhores dos que foram apresentados nos três primeiros meses. Pelo menos é essa a previsão do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, que espera recuperação de empregos para os próximos meses e disse já ver empresas convocando funcionários para horas extras.

Ele aproveitou a oportunidade para novamente criticar os países desenvolvidos pela responsabilidade da crise.

"A economia teve problemas sérios em outubro, novembro e dezembro, e sei que certamente não cresceremos tanto quando pensávamos crescer, mas o Brasil estará entre os países que crescerão de forma positiva, diferente de países que estão em recessão, como Estados Unidos, alguns europeus e o Japão", comentou o presidente.

No contexto da posição do Brasil frente à crise, Lula voltou a criticar os países desenvolvidos. Disse que a próxima reunião do G-20, marcada para 2 de abril, em Londres, marcará a primeira vez em que as nações em desenvolvimento chegarão ao encontro com "mais autoridade moral" que os ricos, devido à manutenção da solidez econômica e financeira em meio à crise.

Segundo o presidente brasileiro, o reconhecimento do G-20 como a principal cúpula de decisões no cenário mundial, em substituição ao G-8, deve ser mais uma vez proposto durante o encontro em Londres, assim como reformas no Fundo Monetário Internacional (FMI) e no Banco Mundial.

"A reformulação das instâncias de governança financeira é inadiável. O G-8 mostrou-se aquém das necessidades atuais. Instituições como o FMI e o Banco Mundial só terão sua capacidade de ação e credibilidade recuperadas quando houver maior participação dos países em desenvolvimento", disse Lula. "Mas não faz sentido aumentarmos nossa contribuição para essas instituições enquanto os países ricos, responsáveis pela atual crise que afeta a todos, continuarem dando as cartas", completou.

A dureza do discurso, no entanto, foi amenizada quando o assunto foi o seu encontro com o presidente americano, Barack Obama. À colega argentina Cristina Kirchner, que acompanhava seu discurso, Lula disse que Obama é o primeiro presidente eleito que " se parece com a gente " . " Se ele vai fazer o que a gente acredita, não sei. Mas é a primeira pessoa com a cara da gente, que fala humildemente " , disse Lula.

Os presidentes de Brasil e Argentina participaram hoje de um econontro entre empresários dos dois países, realizado na sede da Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp).

(Murillo Camarotto | Valor Online)

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