MANAUS - O presidente Luiz Inácio Lula da Silva voltou a destacar sua preocupação com a falta de crédito no Brasil como um dos possíveis reflexos da crise econômica dos Estados Unidos. A declaração foi feita hoje (30), em Manaus, onde Lula reuniu-se com os presidentes da Venezuela, Hugo Chávez, do Equador, Rafael Correa, e da Bolívia, Evo Morales.

Apesar de revelar preocupação, Lula garantiu que não existe um "gabinete de crise" [grupo ministerial formado para tratar do assunto no Brasil], mas declarou que tem se reunido sistematicamente com o presidente do Banco Central, Henrique Meirelles, e com os ministros da Fazenda, Guido Mantega, e do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior, Miguel Jorge, para tratar da política econômica nacional.

"Até o momento, não tivemos problemas com a crise financeira dos Estados Unidos. O que pode acontecer com alguns países, não só com o Brasil, é que a crise gere problemas de crédito. Mas tenho me reunido sistematicamente com ministros e com o presidente do Banco Central. Em se tratando de política econômica, o trabalho deve ser feito com tranqüilidade e transparência", afirmou.

Na última sexta-feira, o Banco Central informou que o crédito continuou em expansão no Brasil no mês de setembro, mas com recursos captados no mercado interno.

Depois da reunião, Lula e Chávez participaram de uma reunião bilateral ampliada para assinatura de diversos acordos envolvendo os dois países. Entre eles, estão termos de cooperação técnica para implementação de programas de agricultura familiar e cooperação industrial no Brasil e na Venezuela.

De acordo com Lula, os acordos firmados mudarão a história econômica da Venezuela. O presidente brasileiro também afirmou que as relações bilaterais entre os dois países estão melhorando e que o papel do Brasil é contribuir para que os países vizinhos cresçam juntos.

"É uma obrigação do Brasil ser solidário com a economia dos países vizinhos no continente sul-americano. Certamente, a atual crise econômica dos Estados Unidos é uma das maiores dos últimos tempos. A diferença é que, desta vez, os Estados Unidos estão na crise e nós estamos sólidos e precavidos. O Brasil fez as lições de casa e eles não fizeram", disse o presidente.

O presidente venezuelano também se mostrou preocupado com possíveis reflexos da crise econômica norte-americana, mas fez questão de ressaltar que nenhum país pode dizer que não será afetado pela crise. Na opinião de Chávez, é preciso garantir mais integração entre os países latino-americanos para fortalecer as economias dessas nações.

"A crise é muito séria e não sabemos o seu tamanho. Ninguém sabe até onde vai chegar este crash. Eu sou um dos que crêem que o crash do neoliberalismo vai ser pior do que o de 1929 e vai afetar o mundo inteiro. Nenhum país pode dizer que não será afetado", avaliou Chávez.

(Agência Brasil)

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