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Lula quer mercado mais regulado

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva afirmou ontem que o Brasil vai propor medidas para evitar a repetição da crise financeira atual. O ministro da Fazenda, Guido Mantega - que participa, a partir de hoje, em Washington, da reunião anual conjunta do Fundo Monetário Nacional (FMI) e do Banco Mundial - levará, segundo Lula, três procedimentos com o objetivo de fomentar um debate global sobre o tema.

Agência Estado |

O Brasil vai propor maior regulação do mercado, imposição de limites para alavancagem bancária e novos critérios para a distribuição de bônus a executivos de bancos.

"Não temos o direito de aceitar a socialização da desgraça", disse Lula, após o batismo da plataforma P-51, onde voltou a criticar o que chama de "cassino" em que se tornou o mercado financeiro. "Esta é uma crise dos países ricos", disse, cobrando maior atuação do FMI para debelá-la. "Quando o Brasil ou a Argentina estavam na pior, o FMI vinha dar palpites e ditar regras. Cadê o FMI agora?"

Lula criticou a falta de regulação dos mercados e lembrou que o Acordo de Basiléia poderia intensificar a ação sobre os bancos centrais para que regulem a atuação das instituições financeiras. "Primeiro tem que coibir a especulação financeira que vem acontecendo há muito tempo." Ele citou como exemplo o preço do petróleo, que subiu a US$ 150 por barril e depois caiu abaixo de US$ 100 sem que as condições de oferta e demanda tivessem se alterado.

Sobre a alavancagem dos bancos, o presidente citou o exemplo brasileiro, onde há um limite de concessão de empréstimo de até 10 vezes o valor patrimonial da instituição. "Nos Estados Unidos, tinha banco que estava com (alavancagem) 35 vezes (sobre o patrimônio)", comentou. "Não pode permitir alavancagem além da competência de um banco", frisou, afirmando que se trata de um exemplo de que "as pessoas estão vendendo financiamento de coisas que não podem garantir".

O terceiro ponto a ser atacado, afirmou o presidente, são os bônus que transformam executivos de bancos em "agiotas". "Temos que acabar com essa maldita figura dos bônus no mercado financeiro. Ficam uns agiotas profissionais inventando ganhos para aumentar os bônus", criticou. "O que não é justo é que países pobres agora sejam chamados a fazer sacrifícios por uma dívida que eles, com a mesma facilidade que criaram, deveriam resolver."

O presidente descartou a adoção de um pacote econômico no Brasil por causa da crise. "Não haverá nenhum pacote econômico", repetiu Lula por três vezes durante o discurso, completando que "todas as vezes em que houve um pacote econômico no Brasil, o trabalhador é que foi prejudicado".

Falando para uma platéia composta por cerca de 3 mil trabalhadores que o ouviam debaixo de chuva no pátio do estaleiro Brasfels, em Angra dos Reis, Lula disse que o Brasil adota medidas pontuais, conforme surge a necessidade. Em tom paternal, acusou os Estados Unidos de terem feito a "farra do boi" com o dinheiro público.

O presidente afirmou também que espera que o "pacote americano ajude a resolver o problema deles". "Mas pelo amor de Deus, agora que deixamos de comer o pão que o diabo amassou e começamos a comer um pãozinho com mortadela, eles que não venham querer se socializar com a gente. Este tipo de socialismo não é o que queremos. Queremos socializar a bonança e não a miséria."

Sobre as conseqüências da crise internacional na economia brasileira, Lula foi enfático em afastar o risco de "contaminação do mercado" e voltou a afirmar que a crise não chega ao Brasil. "Muitos acham que é prepotência minha dizer que esta crise não chega ao Brasil. Digo e insisto: se chegar, chega mais leve, mesmo que haja quem esteja torcendo para ela chegar logo e causar estragos." As informações são do jornal O Estado de S.Paulo.

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