O presidente Luiz Inácio Lula da Silva pediu a seus sócios no Mercosul que estabeleçam acordos com os blocos econômicos da Ásia e especialmente da África, segundo declarações publicadas neste domingo em entrevista ao jornal argentino El Clarín.

"Temos que ter muita urgência porque as coisas demoram a ser aprovadas pelos congressos", afirmou Lula. "Eu não me conformo em ver um país pobre da África, que está mais perto de nós do que dos Estados Unidos e do Japão, comprar carros norte-americanos".

Além do âmbito comercial, Lula advertiu que, em 30 anos, a África terá 1,3 bilhão de habitantes "e se o continente continua pobre como até hoje, não haverá Oceano Atlântico que evitará a imigração para a América do Sul".

"Não temos que aceitar que aconteça conosco no futuro o que acontece hoje na Europa, que não deixa deixar ninguém que não tenha olhos verdes", enfatizou.

"Angola cresce 20% anualmente, todos os países africanos estão crescendo; e nossos empresários precisam descobrir novos nichos de oportunidades. Enquanto olhamos para a Europa ou os Estados Unidos, os chineses ocupam a Ásia. Não há um único país no mundo onde você vá que não encontre chineses nos hotéis, nas ruas, nos bares, nos restaurantes. Não há lugar que tenha matéria-prima onde o presidente da China não tenha estado. E nós ficamos parados", queixou-se.

"Temos que buscar novos sócios para nossos mercados e vender o que produzimos a quem puder comprar. Não vamos vender máquinas para a Alemanha porque esse país tem mais tecnologia que o Brasil. A Argentina também não pode vender suas máquinas para a França. Mas podemos vender para Angola, África do Sul, Moçambique, Gana, Argélia e Nigéria", concluiu.

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