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Lula prega união com a Argentina

Por que Deus nos colocou grudados? Um país ao lado do outro? A gente, quando casa, não é para a mulher olhar para um lado e o homem para outro..

Agência Estado |

. É para estarem juntos!" Com essa metáfora, depois de Brasil e Argentina terem adotado posições contrárias em relação a um acordo multilateral na Rodada Doha, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva arrancou risadas e aplausos ontem de quase 300 empresários brasileiros e outros 700 argentinos, em Buenos Aires. Segundo Lula, que presidiu a abertura do seminário "Argentina-Brasil: uma aliança produtiva crucial" ao lado da presidente Cristina Kirchner, anfitriã do encontro, durante muitos anos Brasil e Argentina "ficaram olhando, individualmente, para a Europa e os Estados Unidos". "Mas, agora é hora de avançar em conjunto."

"Vocês vão rir. Sempre digo nunca antes, mas é mesmo... Nunca antes na história houve uma delegação de empresários tão grande como esta." Lula insistiu na necessidade de que governos e empresários dos dois países "conversem mais", além de reduzir a burocracia entre Brasil e Argentina, para permitir "maior fluidez". Segundo ele, "não podemos permitir que os interesses individuais de um setor brequem acordos estratégicos"

O presidente, que realizou sua 12ª viagem em seis anos à Argentina (é o país ao qual Lula mais visitou desde que foi eleito), declarou seu enfático apoio a Cristina, que nos últimos meses amarga uma drástica queda da popularidade e incertezas econômicas: "O Brasil continua apostando na Argentina, em seus trabalhadores, em seus empresários e em seu governo".

Lula também destacou que "uma Argentina industrializada fortalece o Brasil, o Mercosul e o projeto sul-americano". Segundo o presidente, "juntos, podemos disputar o comércio dos países mais ricos e chegar a países onde ainda não chegamos".

Bem-vindas

Em seu discurso, Cristina declarou sua admiração pela pujança industrial do Brasil e disse que as empresas brasileiras (que desde 2001 investiram US$ 8 bilhões no país) são "muito bem-vindas". "O Brasil teve nas últimas décadas uma política de Estado, de apoiar a indústria. Sua classe política tinha convicções para gerar um modelo de desenvolvimento produtivo que fizesse da competitividade o eixo de seu desenvolvimento."

Segundo a presidente, "a Argentina não teve essa sorte". "No Brasil entenderam a importância de um modelo de continuidade, de acumulação produtiva. No entanto, na Argentina, onde houve muitas experiências políticas, certos grupos da classe dirigente acharam que nosso país deveria limitar-se a ser um país de serviços. Mas esse sistema acabou afetando nossas instituições."

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