O Brasil hoje integra a categoria de "outros países" na exportação de carnes para os russos e se considera prejudicado

Na pauta comercial da viagem à Rússia, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva vai defender que o Brasil tenha uma cota individual para a exportação de carnes. Hoje, o Brasil integra a categoria de "outros países" e pleiteia uma cota exclusiva, conforme informou o chefe do Departamento de Promoção Comercial do Ministério das Relações Exteriores, Norton Rapesta.

Ao contrário do Brasil, os Estados Unidos e a União Europeia já possuem essas cotas para exportação de carne de frango, suína e bovina. O Brasil entende que tem direito a mais espaço por ser o maior fornecedor de carne bovina para a Rússia e se considera prejudicado por não ter acesso ao mercado e sofrer maior concorrência. "Ele falará certamente sobre isso com o Medvedev", disse Rapesta a jornalistas. "Queremos uma cota só nossa. Somos os maiores fornecedores", justificou.

Lula participa sábado do encerramento do encontro empresarial entre os dois países que visa dobrar o comércio bilateral que sofreu uma queda 40% por causa da crise, mas também diversificar as exportações, que hoje é concentrada em produtos alimentícios. "Queremos mostrar que temos outras coisas para oferecer novos produtos. Não podemos ficar só na exportação de carne e importação de petróleo", disse Norton Rapesta, citando que o Brasil quer exportar tecnologia agrária e bioenergia, por exemplo, e eles têm para nos oferecer material de defesa, de transportes, aeroespacial e até nuclear. "Precisamos mudar este patamar de investimentos que é considerado muito baixo".

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