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Lula: País pode sofrer com menor comércio entre nações

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva admitiu hoje que o Brasil poderá ter novos problemas na balança comercial. Em discurso na posse do novo conselho diretor do Serviço Brasileiro de Apoio às Micro e Pequenas Empresas (Sebrae), o presidente admitiu que grandes países deverão deixar de comprar, afetando o comércio brasileiro, mas que o País está preparado para a crise financeira internacional e pode até mesmo ensinar ao mundo sobre seriedade no sistema financeiro.

Agência Estado |

O atual presidente do Sebrae, Paulo Okamotto, foi reeleito para o cargo.

"No fundo, em se tratando de seriedade do sistema financeiro, temos o que ensinar ao mundo desenvolvido, e não aprender", afirmou. No mesmo discurso, o presidente afirmou que irá a Londres, em abril, na reunião do G-8 - grupo dos sete países mais ricos do mundo mais a Rússia -, cobrar mais controle do sistema financeiro internacional. "Vamos a Londres em 2 de abril para dizer que o mundo precisa controlar o sistema financeiro, tem que limitar a alavancagem (das instituições financeiras), controlar o mercado futuro", afirmou.

"Quem quiser especular no mercado futuro, na hora que for especular deposita uma parte em dinheiro, na hora, porque o mundo não pode virar uma ciranda e ser vítima da especulação, para transformar aqueles que estavam fazendo a coisa certa em vítima da crise", disse.

Lula voltou a defender que as pessoas continuem consumindo e também cobrou das empresas que mantenham investimentos. "Essa crise tem muito de verdade e muito de pânico. Se nós todos resolvermos colocar o pouco que temos embaixo do colchão só estaremos fazendo a roda gigante (da economia) parar", afirmou. "Quando essa crise acabar, os que investiram vão ter crescido de patamar em um prazo muito mais curto. Não conheço ninguém na vida que cresceu com covardia."

Obama

O presidente ainda levantou dúvidas sobre a capacidade do novo presidente dos Estados Unidos, Barack Obama, em diminuir os efeitos da crise econômica, que começou naquele país. "O Obama tem muita responsabilidade, porque no interregno entre a vitória e a posse não se permitiu que a crise fosse tratada como deveria. O Obama tem o maior problema da humanidade hoje. Não sei se ele vai conseguir tomar as medidas necessárias para retomar a força da economia americana e trazer de volta o consumo nos Estados Unidos."

Mais uma vez, o presidente avaliou que essa crise pode ser maior ainda que a grande depressão de 1929. "Precisamos reconhecer que a situação é delicada, possivelmente maior que a crise de 29, que Roosevelt (o ex-presidente norte-americano Franklin Delano Roosevelt) só conseguiu resolver por causa da segunda guerra", afirmou. "Como nós não queremos guerra, queremos paz, vamos ter que ter mais ousadia, mais sensibilidade, mais inteligência."

Fonte: Financial Times

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