BRASÍLIA - Apesar de não participar diretamente da campanha eleitoral no primeiro turno - a exceção foi aberta apenas nos casos de Luiz Marinho (São Bernardo do Campo) e Marta Suplicy (São Paulo) -, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva quer que o maior número de aliados usem sua imagem e as realizações do governo federal nas campanhas municipais desse ano. O recado foi dado ontem pelo presidente aos ministros políticos, durante reunião realizada no Palácio do Planalto. No segundo turno, Lula vai subir nos palanques, especialmente naqueles em que um candidato da base estiver concorrendo com algum candidato da oposição.

Segundo relato de presentes, Lula demonstrou irritação com a intenção de alguns petistas de proibir a exibição de sua imagem em horários eleitorais de candidatos que não são filiados ao PT. Lula vai pedir ao presidente nacional do PT, deputado Ricardo Berzoini (SP), que envie circulares a todos os diretórios petistas proibindo esta iniciativa. Se essa idéia continuar, poderemos ter problemas em 2010. Quanto mais gente estiver falando bem do nosso governo, mostrando o que estamos fazendo pelo país, melhor para nós mesmos , disse o presidente. Lula não avisou aos presentes como será sua participação na campanha dos petistas Marta Suplicy e Luiz Marinho. Mas a definição sairá em breve. Logo, logo , disse ele.

Lula não pretende criar uma norma escrita para definir a conduta dos ministros durante a campanha eleitoral. Ficou sacramentado que quase todos terão liberdade para atuar como bem entenderem, fazendo campanhas para seus candidatos independente do Estado onde eles estiverem concorrendo. Mas defendeu que sejam campanhas propositivas, sem atacar os demais candidatos da base aliada. Na semana passada, após uma reunião no Planalto, Múcio já havia demonstrado preocupação com o assunto. As campanhas acontecem nos municípios mas. Quando as eleições acabam, é na minha porta que os derrotados vêm chorar as mágoas , disse ele.

Apesar de não ter sido explicitamente tratado no encontro, todos os ministros presentes sabiam que os únicos vetos à livre atuação eleitoral foram dados à chefe da Casa Civil, ministra Dilma Roussef e ao ministro da coordenação política, José Múcio Monteiro. Ambos só poderão subir em palanques no Rio Grande do Sul e em Pernambuco, respectivamente. No caso de Dilma, Lula tomou a decisão para protegê-la , pois avalia que ela tornou-se o principal alvo da oposição depois que surgiu como o nome mais forte do PT para sucedê-lo em 2010.

Lula também pediu cuidado com possíveis impugnações ou reclamações da oposição junto ao Tribunal Superior Eleitoral (TSE). Na semana passada, Lula disse que manteria sua rotina de viagens pelo país e pelo exterior, que não pararia de visitar canteiros de obras, lançar programas - hoje mesmo anuncia o Plano Nacional de Pesca, em Salvador, elevando o status da Secretaria de Aqüicultura para Ministério da Pesca. Mas deixou claro aos ministros que não quer ver candidatos em seu palanque para não ser acusado de crime eleitoral. Essa restrição inclui candidatos a prefeito, a vice ou vereadores.

O presidente ouviu dos ministros ligados aos partidos relatos de como estavam as campanhas nos respectivos estados. Estavam presentes: Geddel Vieira Lima (PMDB); Luiz Dulci e Tarso Genro (PT); Pedro Brito e Sérgio Rezende (PSB); José Múcio Monteiro (PTB); Carlos Lupi (PDT); Orlando Silva (PCdoB); Gilberto Gil (PV); Márcio Fortes (PP) e José Alencar (PRB).

(Paulo de Tarso Lyra | Valor Econômico)

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