O presidente Luiz Inácio Lula da Silva está finalizando com a equipe econômica novas medidas de desoneração tributária para anunciar amanhã, durante reunião com empresários. O governo mantém a firme a posição de conter, no que for possível, uma desaceleração mais forte da economia no próximo ano.

A meta de sustentar o crescimento em 4% não é aleatória e será perseguida "a todo custo" para impedir que os ganhos sociais e de geração de empregos alcançados no governo Lula sejam deteriorados pelos impactos da crise financeira, que atingiu sua fase aguda a partir de setembro.

O governo está sensível às reivindicações para a garantia dos empregos e da atividade econômica. O foco está colocado na desoneração tributária de impostos como o de renda para pessoas físicas e jurídicas, dos que incidem sobre as operações financeiras, como o IOF, e da produção, como o Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI), embora medidas pontuais de preservação do nível de emprego não estejam descartadas.

Ao longo desta semana, foram fortes os boatos nos bastidores do governo em torno de propostas que, do ponto de vista das empresas, poderiam ser adotadas para evitar demissões, principalmente em setores intensivos de contratação de mão-de-obra, como a construção civil. Uma delas seria a suspensão temporária do pagamento do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço (FGTS). O objetivo seria liberar capital de giro para as empresas. A proposta, no entanto, não teve boa receptividade. "Trata-se de uma medida que segue a lógica do governo de garantir capital de giro para as empresas, além de contornar o problema do crédito escasso e caro", reconheceu uma fonte do Planalto. "Mas o que o governo pode fazer de melhor para manter o emprego é garantir a manutenção da atividade econômica."

A abordagem do governo "é macro", segundo essa fonte. Ou seja, embora haja disposição de medidas pontuais, como aliás já foram adotadas para diversos setores, o raciocínio de Lula não perdeu foco: o que garantiu a geração de mais de oito milhões de empregos ao longo de seu governo foi o crescimento econômico. "A idéia central é manter a atividade econômica aquecida", completou a mesma fonte. Por isso, a insistência do Planalto em assegurar os recursos para investimentos - definidos no Programa de Aceleração do Crescimento (PAC) e nos programas sociais.

É essa a mensagem que Lula quer renovar no encontro com os empresários amanhã. É claro que o Planalto está aberto às críticas e, certamente, a questão dos juros elevados será abordada pelo setor privado. Mas não se pode esquecer de que a reunião estará acontecendo um dia após a decisão do Copom - que será anunciada hoje - e, no governo, prevalece o sentimento de que a diretoria do Banco Central não irá alterar os juros básicos da economia. O Planalto, como afirmou uma fonte, está atento a todos os impactos da crise financeira na economia real. O diagnóstico está feito. O que Lula quer ouvir dos empresários é o compromisso de não deixar os investimentos caírem, de preservar os níveis de emprego. Em troca, assegurará que o governo vai adotar as medidas necessárias para impedir que uma recessão se instale no País.

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