Publicidade
Publicidade - Super banner
enhanced by Google
 

Lula exime biocombustíveis de responsabilidade por crise alimentícia

São Paulo, 21 nov (EFE) - O presidente Luiz Inácio Lula da Silva eximiu hoje os biocombustíveis de qualquer responsabilidade na crise mundial de alimentos, que ele atribuiu à especulação nos mercados financeiros e de matérias-primas.

EFE |

"A crise alimentícia é provocada pela especulação derivada da alta do petróleo e da alta nos preços das matérias-primas", afirmou Lula no encerramento da Conferência Internacional sobre Biocombustíveis, realizada esta semana em São Paulo.

Alguns Governos, organizações internacionais e da sociedade civil atribuíram a escassez mundial de alimentos aos biocombustíveis, porque, para sua produção, são utilizadas matérias-primas como o milho e a cana-de-açúcar.

Também acusaram essa indústria de pôr em risco a biodiversidade e de utilizar condições de trabalho degradantes.

"Uma boa parte do aumento dos preços dos alimentos é porque há mais pobres comendo no mundo e é normal que haja um aumento do consumo, mas há muitas matérias-primas especuladas no mercado de futuros a preço absurdos", ressaltou.

O presidente também criticou a falta de reservas de alimentos básicos como o trigo, o arroz e o milho, que, desde 2000, "caíram para a metade".

Além disso, Lula defendeu a produção e a expansão dos combustíveis alternativos, como o etanol e o biodiesel, porque "combinam crescimento com desenvolvimento ambiental, mas também com responsabilidade social".

"Reconheço que há preocupações legítimas neste debate", disse Lula, que acusou "os interesses poderosos" de distorcer a verdade sobre os biocombustíveis.

O representante para a América Latina da Organização das Nações Unidas para a Agricultura e a Alimentação (FAO), José Graziano, que participou da Conferência, apoiou a política brasileira de biocombustíveis e destacou o potencial que outros países da região têm nesse campo.

No entanto, os participantes do seminário internacional "Agrocombustíveis como obstáculo à construção da soberania alimentar e energética", paralelo à conferência, condenaram em seu documento final "o modelo e a estratégia de promoção" destes combustíveis.

A Pastoral da Terra da Igreja Católica também reafirmou no marco do seminário suas denúncias de trabalho escravo e degradante na indústria da cana-de-açúcar.

Lula respondeu às críticas sobre o risco que a floresta amazônica corre pela expansão das áreas dedicadas ao cultivo de cana-de-açúcar para a produção de etanol.

"Na região da Amazônia não haverá cana-de-açúcar, mas vamos expandir nosso etanol a áreas muito degradadas", afirmou Lula, que acrescentou que os biocombustíveis podem ajudar a solucionar a crise financeira internacional.

"As crises são portadoras de ameaças, mas permitem oportunidades e novos caminhos", disse.

No entanto, ele afirmou que "a crise não pode ocultar outras questões de fundo como a fome e a pobreza de centenas de milhões de pessoas, nem ocultar os problemas da mudança climática".

Na conferência, que reuniu acadêmicos, industriais e especialistas, debateu-se a relação dos biocombustíveis com a mudança climática, com a segurança alimentar, as novas tecnologias e o mercado mundial, entre outros aspectos.

Por sua vez, o ministro das Relações Exteriores, Celso Amorim, pediu a eliminação das barreiras protecionistas no comércio internacional de biocombustíveis para que os países pobres possam se beneficiar dessa fonte alternativa de energia do ponto de vista econômico e social.

Além disso, Brasil e Estados Unidos anunciaram um acordo para ampliar a cooperação científica com outras nações na área de produção de biocombustíveis, que incorporará Guatemala, Honduras, Jamaica, Guiné-Bissau e Senegal a essa iniciativa. EFE wgm/ab/db

Leia tudo sobre: home

Notícias Relacionadas


Mais destaques

Destaques da home iG