Londres, 9 mar (EFE).- O presidente Luiz Inácio Lula da Silva se disse convencido que o país vai superá-la antes dos outros.

Em declarações ao jornal britânico "Financial Times", Lula qualifica o ano de 2008 de "excelente" e se mostra também otimista sobre as perspectivas do ano atual.

O jornal coincide em que a maioria dos brasileiros viu melhorar sua situação sob seu Governo graças ao crescimento do emprego e dos salários, pelo menos, acrescenta, até que a crise no final do ano passado começou a prejudicar o quadro.

Lula argumenta, e poucos observadores estão em desacordo com ele, segundo o "Financial Times", que o Brasil está em melhores condições hoje de superar a crise do que há uma década, quando as crises russa e asiática levaram a uma enorme fuga de capitais e puseram o país à beira da falta de pagamento.

Desde que Lula chegou ao poder em 2003, a demanda de alimentos e produtos industriais, somada aos altos níveis de investimentos estrangeiros diretos, ajudaram o Brasil a acumular reservas em moeda estrangeira de mais de US$ 200 bilhões, um grande "colchão" frente à volatilidade.

Ao mesmo tempo, diz o periódico, o Brasil está relativamente isolado do mundo exterior: as exportações equivalem a apenas 14% do Produto Interno Bruto enquanto os créditos representam apenas 30% do PIB, e poucos deles também procedem de fora.

Essa dupla circunstância deveria servir para proteger o Brasil frente à queda da demanda mundial e ao esgotamento dos créditos em nível global.

No entanto, segundo Marcelo Carvalho, chefe de análise econômicos da Morgan Stanley em São Paulo, o "Brasil é bastante mais vulnerável do que muitos acreditam".

"O panorama global é muito ruim e a crise será aqui mais pronunciada do que muita gente pensa", explica Carvalho ao "Financial Times".

Segundo Carvalho, o rápido ritmo de queda das exportações é maior que seu volume em relação com o PIB.

Ao mesmo tempo, a saída de capitais é muito negativa, o fechamento dos mercados de crédito exteriores afetou também negativamente o brasileiro e, o que é talvez mais importante, a perda de confiança de empresas e consumidores representa uma freada forte para a atividade econômica.

A popularidade contínua de Lula se deve a que não há ainda uma clara percepção da crise, mas isto poderia mudar agora, a julgar pelos números de emprego, acrescenta o "Financial Times".

Em dezembro foram perdidos mais de 650 mil postos de trabalho na economia formal, aos que se somaram outros 100 mil em janeiro, embora dois terços pelo menos dessas perdas se deveram a fatores de estação.

Mas muitos brasileiros não retornaram ao mercado de trabalho até a semana passada, após o período que vai do Natal até o Carnaval, e o aumento do índice de desemprego de 7,4% para 8,6% em janeiro poderia afetá-los.

"Nossa máxima preocupação é que não se dê marcha à ré em nossas conquistas em matéria de emprego e de renda para milhões de cidadãos que estão entre os mais pobres do Brasil", explica Lula. EFE jr/ma

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