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Lula e Serra acertam venda da Nossa Caixa

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva e o governador José Serra (SP) se encontram hoje, no Palácio do Planalto, para bater o martelo na compra da Nossa Caixa paulista pelo Banco do Brasil. Na mesa do encontro, os dados revelam que o governo de São Paulo pede pela instituição pouco mais de R$ 7 bilhões e quer que o pagamento seja feito em dinheiro, com um prazo máximo de um ano para a quitação total.

Agência Estado |

Mas, na conversa com o governador paulista, Lula pensa baixar um pouco o preço.

O governo vai insistir no parcelamento do valor. A maior preocupação é com a possibilidade de descapitalizar o BB. "O pagamento não pode significar a descapitalização do banco e a capitalização do governo de São Paulo", segundo uma fonte.

Ontem, numa cerimônia no Itamaraty, Lula não escondeu a expectativa de que o negócio irá fortalecer o BB. "O Banco do Brasil era o principal banco do País, mas, com a fusão do Unibanco com o Itaú, passou a ser o segundo", afirmou ele num almoço oficial para o presidente da Indonésia, Susilo Bambang Yudhoyono. "Agora, queremos que o Banco do Brasil seja muito maior que qualquer outro banco brasileiro", arrematou.

O presidente afirmou, no entanto, que somente tomará a decisão final sobre valores após consultar Serra, o ministro da Fazenda, Guido Mantega, e o presidente do BB, Antônio Francisco de Lima Neto. O encontro entre Lula e Serra está marcado para as 16 horas, no Palácio do Planalto.

Na conversa com Lula, Serra tentará reavivar o pacote que apresentou ao governo federal desde o início do ano: além de vender a Nossa Caixa, ele quer federalizar as Centrais Elétricas de São Paulo (Cesp). A venda da Cesp começou a fazer água depois que o governo federal se negou a renovar concessões das hidrelétricas de Jupiá e Ilha Solteira, mas Serra insistirá no negócio ampliado.

As negociações para a compra da Nossa Caixa pelo BB começaram no início do ano. Um dos principais atrativos do banco são os depósitos judiciais, que estão na casa de R$ 16 bilhões. O negócio começou a se viabilizar recentemente, quando os governos Lula e Serra identificaram vários pontos de convergência.

Desde o anúncio da união do Itaú com o Unibanco, o BB perdeu o posto de maior banco brasileiro e isso se transformou numa obsessão para o presidente Lula. A compra da Nossa Caixa não devolverá o primeiro posto ao BB, mas o deixará perto.

Para o governo Serra, a venda da Nossa Caixa vai gerar recursos para aumentar os investimentos do governo paulista em 2009, questão vital para emoldurar uma eventual candidatura de Serra à presidência em 2010. Por isso, Serra quer receber dinheiro pela venda, de forma que o pagamento possa se transformar rapidamente em investimentos em infra-estrutura.

A venda direta ao BB permitirá ao governo paulista alienar a Nossa Caixa sem enfrentar protestos da CUT e de sindicatos de bancários paulistas, o que seria inevitável se a venda fosse feita a um banco privado.

Por último, Serra planejava fazer da Nossa Caixa uma espécie de BNDES estadual, para alavancar a atividade econômica em regiões menos desenvolvidas do Estado. Mas depois ele resolveu criar uma Agência de Fomento para cumprir essa função. A venda da Nossa Caixa permitirá que uma parte do dinheiro vá para a agência.

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