O ministro das Comunicações, Hélio Costa, informou hoje que a próxima reunião de ministros com o presidente Luiz Inácio Lula da Silva, para discutir o projeto do Plano Nacional de Banda Larga, será na quarta-feira da próxima semana, dia 16. Costa reafirmou a tese de que só é possível massificar o acesso à internet em alta velocidade se houver uma parceria com as empresas privadas.

O ministro se reuniu hoje pela manhã com executivos das companhias de telefonia fixa e celular para discutir o projeto "O Brasil em Alta Velocidade", apresentado por ele a Lula, no dia 24 de novembro e que prevê chegar a 2014 com 90 milhões de acessos de banda larga, por meio de uma parceria público-privada.

Para cumprir essa meta, seriam necessários investimentos de R$ 75 bilhões nos próximos cinco anos. Deste total, R$ 49 bilhões viriam do setor privado e R$ 26,5 bilhões seriam aplicados pelo governo na forma de desoneração tributária e utilização de recursos de fundos setoriais.

O ministro lembrou que falta o governo decidir como será feito o atendimento ao cliente final, chamado de última milha. "Ficou pendente para a próxima reunião a questão do acesso, partindo de duas posições: uma onde há uma proposta que inclui o nosso projeto, de que o governo só trabalhe no atacado, e a outra, que é a proposta dos demais setores, de que o governo entre também na distribuição", afirmou.

A proposta de criação de uma estatal da banda larga para atuar inclusive no atendimento ao cliente final partiu do secretário de Logística e Tecnologia da Informação do Ministério do Planejamento, Rogério Santanna. No início das discussões, o secretário chegou a estimar investimentos de R$ 3 bilhões para fazer a "última milha".

Costa disse que R$ 3 bilhões não são suficientes para massificar a banda larga. "Se estamos falando em fazer uma grande empresa de banda larga para cobrir o País inteiro e em tempo curto, eu tenho dúvidas", afirmou o ministro.

A estatal da banda larga, segundo os estudos do governo, seria montada a partir das redes óticas da Petrobras, Eletrobrás e Eletronet. Esta infraestrutura, que poderá ser administrada pela Telebrás, faria a transmissão de dados. Mas, para chegar ao usuário final, é preciso construir ramificações da rede de distribuição.

Desde a última reunião com o presidente, no dia 24 de novembro, estão sendo levantados os custos da construção dessa rede secundária. "Eu entendo a coisa um pouquinho diferente do que está sendo colocado. Um plano nacional de banda larga não é só fibra ótica. É um conjunto, uma série de ações", acrescentou Costa, ao sair do ministério.

    Faça seus comentários sobre esta matéria mais abaixo.